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Prémio ou castigo?

Prémio não é certamente. E o castigo não bate assim”. Que me desculpe o Poeta pela apropriação imperfeita e pelo erro das sílabas.

N/D
16 Mar 2005

O prémio merece-se e é atribuído por um feito valoroso e valioso já realizado. A vitória em eleições é apenas um facto ou acontecimento circunstancial, que pode gerar condições para os tais feitos valiosos. O simples anúncio de promessas ou de “planos” não afiança galardão. No fim da legislatura (esperemos que se cumpra por inteiro), será feita a avaliação.
Para já, houve um estímulo, uma espécie de prémio de consolação, no volume da vitória. Uma alegria fugaz, que se esfuma numa noite de insónias e não de todo imune ao veneno de vingançazinhas. Desculpável.

Sem diminuir o mérito pessoal do vencedor, reconhece-se que o tempo e o modo esquisitos do chamamento à escolha não tornavam difícil prever o ponto de inclinação provável da maioria dos eleitores. No meio da tormenta política, envolta em ondas concertadas de críticas, queixumes e insatisfação, os passageiros agarraram-se ao que lhes pareceu ser a melhor tábua de salvação. Muitos talvez mais por instinto de salvaguarda, do que por convicção. Mais na defesa de interesses próprios, do que da colectividade.

É aqui, no emaranhado de tantas divergências, que a governação se vai tornar num verdadeiro “castigo” de trabalho intenso, sério, lúcido e eficaz. O timoneiro comanda um barco minado de exigências, da insatisfação de todas as camadas sociais. A maioria folgadamente absoluta, mais do que uma honra, é um aviso com carácter de ameaça. Uma prenda envenenada. Tem a força e o peso de uma também absoluta responsabilização.

Acabou a desculpa antiga de uma governação algemada, ou pela minoria ou pelo empate. Agora ficaram livres. De pé. Sozinhos. Desqueijados. Sem necessidade de muletas. DesBLO(CO)queados à esquerda e não condiC(DS)ionados à direita.

Exige-se que o velho canto, descuidado e imprudente, da cigarra se, substituído pela humildade laboriosa da formiga. Infelizmente, já andam no ar indícios pouco animadores: diminuição de receitas pelo perdão de portagens e grandes investimentos em melhorias sociais com fontes de financiamento indefinidas.

Para a solução global dos problemas da Nação não basta a autoridade do Primeiro Ministro. Nem apenas a qualidade do seu Ministério. A coesão, o bom senso, o exemplo e a união de todos os responsáveis partidários, a todos os níveis, e que vai permitir a construção equilibrada de um presente, onde se possa alicerçar com firmeza o futuro.

Como é que é possível que, logo no dia seguinte à vitória, responsáveis locais tenham publicamente reclamado a cabeça de adversários? “Demitam-se… Ponham os lugares à disposição”. (D.M. – 22/02/05, pág. 9). Vamos ter novamente a caça ao lugar? Outra vez a “Boíte”? É a vitória manchada pela ambição e a alegria desfeada pelo mau humor ou má educação.

Porque até a linguagem desceu a nível impróprio: -“apareceu para aí um indivíduo…” Um colega de cargo numa bela cidade, adversário cabeça de lista, não merecia ser tratado como “para aí um indivíduo”. É um receio que eu tenho que a beleza da vitória central possa vir a enfraquecer pelas alas regionais.

Partidarismos à parte, dar-me-ia um sincero prazer, daqui a quatro anos poder honrar o “castigo” com um justo prémio de louvor pelos valorosos e valiosos feitos de uma boa governação política. Portugal precisa! E merece!




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