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E agora, tudo nas nossas mãos?

Apesar de se verificar, neste momento, um clima social mais desanuviado, uma tensão política mais descomprimida, uma expectativa mais optimista e mesmo uma ténue esperança que as coisas vão melhorar, o país atravessa uma grande e difícil enrascada económico-financeira que requer medidas urgentes, corajosas e algumas até, porventura, impopulares para se contornar ou, pelo menos, atenuar o pesado fardo de uma herança que vem dos tempos da gestão desastrosa do eng.º Guterres.

N/D
16 Mar 2005

Todos os peritos na matéria têm manifestado em uníssono que o actual ministro das Finanças, além da sua reconhecida e inquestionável competência e valia técnica, tem que demonstrar muita coragem e determinação para levar a empreitada do controlo do défice, a redução da despesa pública e conduzir o país a bom porto no que concerne ao crescimento sustentado.
É imperioso encurtar distâncias de todo o tipo que nos separam dos nossos parceiros da União mais desenvolvidos, porque a concorrência aos fundos comunitários que se aproxima é séria e não permite mais baldas nem perdas de tempo desnecessárias para não perdermos a aposta de crescer e de criar riqueza efectiva.

São estas as qualidades como a coragem, determinação, competência que têm estado arredadas dos nossos políticos nestes últimos tempos que antes preferem comodamente usar todo o tipo de facilitismos demagógicos e inconsequentes para se instalar e manter no poder, iludir todo um povo com políticas do faz de conta e estagnar um país que se afunda a olhos vistos.

Aliada à coragem que é necessário ter para pôr este país a andar na rota certa, para não ceder aos interesses bem instalados e exigir a todos os cidadãos que cumprem com o seu dever de se entusiasmar, de contribuir com as suas energias, vontades e capacidades, trabalhando para o bem comum, o rigor, a disciplina e a autoridade são regras relevantes e prementes que conferem aos governantes maior coesão de grupo, maior dinamismo e maior exigência.

E aos governados um modelo activo de boa gestão, de equilíbrio e de eficácia. O exemplo terá forçosamente de vir de cima, trespassando para o exterior que a máquina governativa funciona, está atenta às movimentações sociais e é um motor de aceleração e mudança nos sectores produtivos do país. Não pode nem deve dar a entender que é mais um problema e um empecilho do que uma solução, dificultando toda a acção dos agentes que investem e arriscam os seus capitais em prol de um povo ressequido de emprego, de estabilidade e de esperança.

Os responsáveis políticos e esta maioria confortável, saída das recentes eleições legislativas, têm os nossos destinos nas suas mãos. Não podem, por isso, mais pactuar com “fait divers” sociais, com reivindicações patéticas muito próprias dos mais diversos grupos de pressão que testam a firmeza governativa, para daí retirarem dividendos políticos e sociais. Esta estratégia, democraticamente legítima não pode pôr em causa todo um trabalho que é imperativo fazer, de forma a recolocar o país no caminho do progresso, do crescimento e do bem-estar.

Chega de políticas laxistas e do deixa andar que só servem de paliativo a curto prazo e só engordam cada vez mais o monstro da dívida pública que nos tem tolhido há já quase uma década. Não poderá haver avanços significativos na recuperação económica se não houver um governo forte, determinado e que tenha autoridade moral para pedir mais uma grande dose de sacrifícios, de esforço e de contenção a todos os cidadãos deste país já bem castigado e cansado, ao longo destes anos, de tantas promessas inglórias e fracassadas.

Temos que passar obrigatoriamente a mensagem a este povo que as benesses sociais não podem ser produto de políticas balofas, gratuitas e conjunturais, buscando unicamente popularidade, imagem e votos, mas fundamentadas no mérito, no trabalho, na capacidade de inovação e de produzir. Já é mais que tempo de se arrepiar caminho e deixar este laxismo que nos tem tolhido e manietado.

Mais uma vez, o destino está à nossa frente e nas nossas mãos. Temos que o merecer. Temos que o conquistar.




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