Fotografia:
822. Senhor Primeiro Ministro

1 Agora ao leme da governação e com um horizonte temporal de quatro anos (se, entretanto, não fugir como fugiu Guterres, após as autárquicas ou das presidenciais não sair um presidente que faça à sua maioria o que fez Jorge Sampaio à do PSD/CDS), o país aguarda que muita coisa mude! E que das promessas eleitorais se passe aos actos governamentais.

N/D
16 Mar 2005

Mas, o mais difícil mesmo é saber como vai governar: se com os punhos cerrados ou abertos, se na escassez ou na abundância! Os governos PS costumam ser governos de vacas gordas, despesismo, regabofe! E quem vier que pague as favas!
Todavia, senhor Primeiro-Ministro, não duvide de que, no estado em que o país, se encontra, no pântano económico-social em que mergulhou vai ter mesmo que fechar os punhos e fazer o que fez, em tempos, Mário Soares: meter o socialismo na gaveta! E fechado a sete chaves para que nenhum Alegre se tente a abri-la!

Sobretudo, porque não há condições para governar contra patrões e empresários, para distribuir quando não há que distribuir, para praticar mais igualdade, justiça social e apoio às camadas carenciadas da população, para lutar contra a exclusão e a evasão fiscal… Obviamente, quando o Estado – Providência – o guarda-chuva do socialismo e da social-democracia – está falido!

E se é verdade que o senhor Primeiro-Ministro entende que o povo votou à esquerda, votou socialismo ou rosa, desiludido vai ficar porque a sua governação não será de punhos abertos, mãos largas ou celeiros cheios! Mas, de apertos no cinto e dobras na tanga! Só escapa quem tiver suspensórios!

E o povo, perante a crise, a depressão, o desemprego espera sempre milagres! E milagres só os Santos os podem fazer! E nem sempre quando mais os desejamos! Por isso, nunca eles virão de S. Bento!

2. Ora, senhor Primeiro-Ministro, nos cartazes da campanha eleitoral do seu partido (PS) lia-se: VOLTAR A ACREDITAR! Lindas palavras! Sublimes conceitos!

Porém, descrente como anda da política e dos políticos, não será tarefa fácil pôr o povo a acreditar seja no que for! Porque esta sua atitude resignada, complacente, esta cultura da indiferença e descrença só o leva ao pessimismo, à lamuria e à derrota!
Têm sido, anos e anos, de governos a desgovernarem (já são dezassete os governos constitucionais, após o 25 de Abril), a adiarem as reformas estruturais que tirem o país da crise económica e social em que mergulhou, a darem o exemplo, o mau exemplo da corrupção, do despesismo, do laxismo!

Então, como pode o povo VOLTAR A ACREDITAR? Só com um governo…

– que não governe com os ricos contra os pobres;

– que pratique a solidariedade, a igualdade de oportunidades, a tolerância, o diálogo, a justiça social;

– que faça as reformas estruturais, eternamente adiadas;

– que governe com coragem política e sem medo de perder as próximas eleições;

– que não governe para as suas clientelas partidárias, nem pratique a política suja dos jobs for the boys;

– que aposte na educação, na saúde, na justiça e segurança social;

– que governe com competência, honestidade, trabalho, transparência, rigor orçamental…

Enfim, um governo de causas, princípios e convicções! Um governo de salvação nacional!

Venha, então, daí esse milagre de S. Bento!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!

PS – A propósito do POSTAL da última semana, uma correcção se impõe: existe mesmo Rosalía, só que é nome galego, dai a acentuação aguda. E Rosalía de Castro, que deu nome a uma Rua bracarense, foi uma poetisa galega do século XIX. A mão à palmatória e obrigado bom amigo D. C.




Notícias relacionadas


Scroll Up