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Permita-me Senhor Ministro da Saúde…

Agora que já tomou posse o XVII Governo Constitucional e V. Ex.cia, Senhor Ministro da Saúde, voltou ao lugar que bem conhece, permita-me dar-lhe conta de algumas preocupações que vagueiam em muitas consciências.

N/D
15 Mar 2005

Sempre que algum jornal ou outro órgão de informação elabora questionários no sentido de elencar as preocupações dos portugueses, a saúde alcança sempre um lugar de destaque. Assim, é V. Ex.cia um dos ministros do Governo de Portugal mais observados e, como tal, mais expostos. Sei que isso pouco lhe importa, porque a preparação que possui para o cargo adoçada pela experiência que a vida lhe foi dando, fazem do Prof. Doutor Correia de Campos o homem certo neste Governo de maioria absoluta do Partido Socialista.
Como V. Ex.cia bem sabe os problemas no Sistema de Saúde são vários sendo o principal o custo que de ano para ano não pára de subir, fruto de múltiplas causas de que o avanço científico e tecnológico, felizmente, também faz aumentar. Se excluirmos o desperdício a que por todas as razões urge pôr cobro definitivo, há motivos que me levam a pensar não ser fácil baixar significativamente a despesa do S.N.S. O que se torna evidente é a necessidade de gastar os recursos disponíveis com maior eficácia.

Para isso, tem V. Ex.cia o poder para desencadear um conjunto de reformas que contribuam para alterar de uma vez os vícios de organizações que impedem que o S.N.S. alcance nos cidadãos graus de satisfação mais compatíveis com o dinheiro que ele consome.

Como é do conhecimento comum, os grandes problemas que afligem a Saúde em Portugal não estão nos hospitais ou, para ser mais exacto, os que aí existem resultam, sobretudo, de um funcionamento deficiente de toda a área do ambulatório que faz cair no Serviço de Urgência Hospitalar todo o leque de doentes que, na esmagadora maioria deveriam encontrar solução para os seus problemas em locais de maior proximidade. Do que vier a mudar na Medicina Extra-Hospitalar vai depender em muito o êxito ou o fracasso das alterações que se impõem na Saúde em Portugal.

Urge valorizar esta vertente fundamental sem a qual todas as reformas serão remedeios que jamais alcançarão os resultados que todos os portugueses anseiam.

É evidente que nada pode ser feito como num repente de mágica, mas que é necessário encetar pequenos passos que comecem a mudar, isso é uma certeza insofismável.

A nível dos Centros de Saúde, creio ser possível sem grandes custos dotá-los de mais meios, bastando para tal dar mais liberdade de organização aos seus trabalhadores e libertá-los de alguns fardos burocráticos castradores do tempo indispensável para a missão mais nobre, que é atender quem está fragilizado. Voltar a implementar um Serviço Domiciliário capaz de dar resposta em tempo útil e que, só por si, retiraria das urgências dos hospitais os cidadãos mais velhos que tantas vezes apenas carecem de um pouco de atenção e de cuidados simples, susceptíveis de serem prestados em casa. E só aqui tanto dinheiro se pode poupar! Nas ambulâncias, no tempo perdido pelos familiares acompanhantes, no desgaste sofrido pelos profissionais hospitalares, mas, sobretudo, no desconforto causado aos próprios.

Outro caminho que se torna urgente implementar é o dos Cuidados Continuados. Quantos doentes permanecem nos Serviços de Medicina dos nossos hospitais porque não têm alternativa de poiso que lhes garanta uma continuação de medidas que lhes permita prosseguir a vida com a dignidade devida a todo o ser humano! Doentes que tendo deixado de precisar de permanecer num hospital de agudos, que é muito mais caro, não encontram local adequado com o conforto exigível e desejável.

Eu sei, Senhor Ministro, que V. Ex.cia conhece tudo isto e muito mais. Na Escola Nacional de Saúde Pública, em que tive a oportunidade de o ter como Mestre, fiquei com a certeza de que o que pensa sobre estes assuntos não difere muito do que aqui, de um modo simplista, é aflorado. Tenho-o como um homem profundamente preparado, conhecedor da realidade que o rodeia, sensato e com vontade de prosseguir com as mudanças necessárias. Que o caminho a trilhar não seja um imenso lodaçal que lhe inviabilize a viagem.

Termino com a certeza de que muito mais haveria para dizer. No entanto, não posso finalizar sem saudar uma medida, que embora anunciada pelo primeiro-ministro não deixará de lhe pertencer. Refiro-me ao fim do monopólio da venda de medicamentos sem obrigatoriedade de prescrição médica pelas farmácias. É um bom pronúncio.




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