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Nótulas soltas da minha agenda

“Anseios” são poemas para rezar. Rezar com a Vida. Rezar a Vida. Utilizando uma linguagem da mística medieval: são poemas para ruminar

N/D
14 Mar 2005

1Vi com o maior empenho e atenção o Programa “Prós e Contras” sobre a Eutanásia (7.Fev.). Para lá de uma certa confusão, em alguns espíritos, o dito programa mereceu a pena ser visto.
Sobretudo porque a Dr.ª Isabel Galriço Neto, médica especialista em cuidados paliativos, foi notavelmente límpida na exposição das suas ideias.

Ficaram no ar algumas questões muitas sérias: a tentativa de se criar um “clima” favorável à legalização da eutanásia; a falta de amor em que vivem algumas pessoas em situação extremamente severa; a quase total falta de apoio oficial para estes doentes (há pouquíssimos Centros de Cuidados Paliativos e, por isso, no seu Manifesto Político, divulgado a partir de 28 de Dezembro p.p., a Associação Famílias chamava a atenção para este facto dever ser solucionado urgentemente!) e o alheamento de grande parte dos cidadãos portugueses que poderia exercer uma acção voluntária para e com estas pessoas e que preferem “empanturrar-se” de televisão, na leitura de revistas idiotamente cor-de-rosa ou polindo as cadeiras dos cafés…

2. “Uma Teoria da Felicidade” do psiquiatra escritor Enrique Rojas é, ou melhor, deveria ser um livro de leitura obrigatória.

Este autor, o mesmo de um livro igualmente notável – “O Homem Light” -, já nos habituou a boas produções de divulgação/reflexão com rigor científico. Não me cansarei de recomendar a leitura daquele livro.

E podem crer os leitores que não conheço o autor, nem sou accionista da Editora Tenacitas.

A boa leitura, e este livro propicia-a, é tão importante como comer ou beber.

Os educadores, Pais e Professores essencialmente, deveriam começar já, se ainda não o fizeram, a ler “Uma Teoria da Felicidade”. Fazem-nos falta livros assim!

3. Gostava que alguém me explicasse por que razão os nossos agricultores estão sempre a pedir apoios. Se chove muito. Se está muito vento. Se há seca.

Mas, na Holanda, um país essencialmente voltado para a floricultura, em estufa, não se passa o mesmo, pois não? E exportam para todo o mundo flores durante todo o ano. Apesar do tempo feio e frio, muito frio de Inverno.

4. Respigo, da Revista Xis, de um artigo do Prof. Daniel Sampaio: “… Importa começar pelo princípio: os nossos alunos aprendem pouco e mal. Mesmo os bem classificados escrevem com erros e têm dificuldades nas contas.

A indisciplina invadiu as nossas escolas e, nalguns locais, aparece associada a comportamentos de violência. Os professores mostram sinais de cansaço e desmoralização…”. Vindo de quem vem, absolutamente insuspeito de defender modelos arcaicos ou saudosistas, devem-nos convidar a pensar.

Pensar para agir. Já. Mas, a mim coloca-se-me um problema. Uma dúvida. Haverá vontade política para mudar um sistema que entrou em ruptura e já colapsou? Duvido que haja coragem política para limpar, arrumar, refrescar e repensar o sistema de ensino.

Aguardo, pois, com expectativa o que o novo ministro vai fazer e como o novo Governo vai agir. Espero que de imediato. A bem do futuro das novas gerações que correm o risco de perderem completamente face a um mundo difícil em que já vivem.

5. “Anseios” é uma colectânea de poemas de João Aguiar que me fez lembrar o célebre
“Poemas para rezar” de Michel Quoist, da minha juventude.

É o tipo de livro com mensagens de tal modo belas e bem construídas, autêntico apelo do coração do Homem a um Deus que se fez Amor e está connosco, que não merece nem pode ser lido a correr.

“Anseios” são poemas para rezar. Rezar com a Vida. Rezar a Vida. Utilizando uma linguagem da mística medieval: são poemas para ruminar. Merecem uma grande divulgação, sobretudo num tempo de desesperança e de escuta. “Anseios” são anseios de uma alma que demanda Deus.

E já agora um pedido: continue meu caro Padre Aguiar, Senhor Cónego Aguiar Campos!




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