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Aborto: evitar novas feridas e velhos problemas!

Segundo as expectativas de alguma esquerda a temática do aborto (no eufemismo de “interrupção voluntária da gravidez”) vai ser retomada, segundo uns com um novo referendo, para outros bastaria que fosse aproveitada a maioria do Parlamento, fazendo uma lei a gosto e/ou contento e outros ainda sustentam que se criaram as condições almejadas há tanto tempo para “legalizar” em forma de despenalização/descriminalização uma área sensível da nossa vida colectiva.

N/D
14 Mar 2005

Por outro lado, temos visto surgir, mesmo em contexto católico, certos radicalismos – ao que parece, no caso de um frade, eivado de certos traumas pessoais e numa quase compensação por erros, experiências ou condutas menos adequadas no passado – que, por momentos, conseguem mobilizar em favor da vida, mas nem sempre dignificam a luta contra o aborto e quanto lhe está atinente.
Alguns argumento apresentados – de parte a parte – roçam a rudeza daqueles que propõem/contestam o aborto como “solução” para problemas de índole demográfica, sexual ou mesmo familiar.

De facto, a temática do aborto é muito mais do que uma questão moral ou ética e muito menos algo que tenha a ver com a vertente (meramente) religiosa.

Ouvir falar do aborto é escutar pessoas que sofrem com um problema que leva anos e anos a ser ultrapassado – se é que alguma vez o virá a ser, sem a ajuda da dimensão espiritual, mais do que da psicológica! – e do qual se ganha coragem para abordar à luz da confiança e não de qualquer acusação… mesmo que eivada de integrismo ou com sabor a moralismo (um tanto) hipócrita.

Por isso, certa vanglória com que vemos – em declarações ou manifestações de rua – aflorar este assunto denuncia, pelo menos, bastante insensibilidade às feridas das pessoas e, sobretudo, alguma ligeireza em trazer à liça pública uma mágoa que, vezes se carrega para toda a vida… mesmo que já tenha nascido algum outro/a filha/o em substituição… do rejeitado.

Cremos, então, que o aborto não deve ser relançado como tema de distracção das questões políticas. Se querem aprová-lo, façam-no no quadro da Assembleia da República, usufruindo da nova maioria parlamentar.

No entanto, deixe-se aos que discordarem dessa (mais que certa) aprovação a capacidade de interpor a objecção de consciência – mesmo na pregação da Igreja Católica – em ordem a irmos construindo uma outra sociedade onde os valores da vida e da família se captem a partir de uma opção por Cristo e não por oposição de maioria silenciosa, reaccionária – isto é, que só reage e pouco propõe – e com sabor a religião.

Construamos activa, consciente e comunitariamente a cultura da vida com gestos, acções e obras positivas, em serenidade e concórdia, sem criarmos “heróis” nem mártires… escusados.




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