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Pela Imprensa Estrangeira

Três assuntos vão ocupar o nosso artigo de hoje: ainda a propósito do Tsunami, o protocolo de Quioto que vai ocupar muitas páginas na imprensa deste ano e alguns aspectos da visita de Bush à Europa.

N/D
13 Mar 2005

“Dois meses após o Tsunami, a Ásia retoma a sua vida. O esforço de reconstrução começa lentamente nas costas tocadas pelo maremoto de 26 de Dezembro último”, podia ler-se na primeira das quatro páginas que o jornal “La Croix” de 25 de Fevereiro dedicou a este fenómeno.

“Ninguém esquecerá a data de 26 de Dezembro de 2004 em que o tremor de terra e o maremoto terão feito mais de 300.000 mortos”, diz Dominique Gerbaud. “Os jesuítas indonésios ajudam os sobreviventes do Tsunami, que acorrem em auxílio dos refugiados e deslocados de Aceh.

Dois meses após a catástrofe as aldeias indonésias começam a sair da situação de ajuda de emergência. O trabalho dos jesuítas de apoio aos refugiados assegura uma presença médica, uma distribuição de alimentos e auxílio à reconstrução.”

Referindo-se ao Sri Lanka e à Indonésia, aí se diz: “A reconstrução começa a desenvolver-se dificilmente, os barcos de pesca começam a ser reparados, as operações de limpeza vão terminando. Algumas zonas bloqueadas durante muito tempo têm necessidade ainda duma ajuda médica e alimentar de emergência.

O Japão e os Estados Unidos vão fornecer, já a partir do próximo mês, sistemas de alerta às partes tocadas pelo Tsunami. Dois meses depois os sobreviventes franceses tentam voltar a página porque é preciso reaprender a viver, pura e simplesmente. Eles vão retomando as suas vidas mas este segundo mês é ainda mais difícil de viver que o primeiro.”

A revista “Le Monde de l’Éducation” de Março de 2005 fez uma análise da situação agora vivida em algumas regiões atingidas pelo maremoto de 26 de Dezembro dizendo que “depois do Tsunami é preciso encontrar força para reconstruir. Este drama rapidamente se tornou sinónimo de solidariedade à escala mundial. A escola retoma o seu curso na Tailândia”.

Bush é o presidente de um país que com as suas contradições vai influenciando a evolução do mundo. Embora a política pareça ser o que está mais em foco, o certo é que há outros aspectos de especial relevo.

A revista “Science et vie” do corrente mês de Março na sua capa diz “Bush. Porque é que ele prometeu a Lua?”. A partir da página 82, num artigo de Serge Brumier, “Voltar à Lua” diz-se: “É uma das surpresas do novo mandato de George Bush. Alguns dias após a sua reeleição, em Novembro último, o Congresso adoptou um orçamento atribuindo à NASA para o exercício de 2005, 16.2 mil milhões de dólares” isto num contexto de deficit extraordinário e de guerra no Iraque (…)”

Vamos sonhar (sonhar? – a ver iremos ou irão): “A 14 de Janeiro de 2004, no quartel general da NASA, em Washington, George Bush prometia a Lua aos americanos. Na sua «Visão para a exploração do Espaço» ele anunciava que depois do fim do programa da nave espacial em 2012, da construção da estação espacial internacional em 2017, a NASA enviará os seus astronautas para caminhar sobre a Lua a partir de 2020.

Tornada uma base científica permanente, a Lua servirá de degrau para a conquista de Marte e de outros mundos entre 2020 e 2030”. “Nós vamos enviar missões habitadas para a Lua com o fim de aí viver e trabalhar.”

Mas, com os pés mais na terra, Bush veio à Europa estender as mãos aos europeus, pedir colaboração, deixar alguns recados aos europeus e asiáticos. Relativamente ao seu encontro com Gerhard Schroeder pode ver-se o seu sentido nas palavras do presidente da América: “Nós colocamo-nos de acordo para não estarmos sempre a falar das nossas divergências (“Le Fígaro” de 24 de Fevereiro).

Com o presidente da Rússia foi deixando um conselho para o desenvolvimento da democracia neste país e analisando os seus pontos de vista sobre as armas nucleares. Assim, o jornal “La Vanguardia”, a propósito do encontro dos dois presidentes em Bratislava escrevia, a 25 de Fevereiro “A democratização da Rússia marcou a reunião, na Eslováquia, de George Bush e Vladimir Putin.

O presidente dos Estados Unidos transmitiu ao seu homólogo russo a sua “preocupação” mas também disse que confiava em que Putin apoia a democracia. Ambos coincidiram no objectivo de evitar que o Irão tenha armas nucleares”.

Referindo-se a este encontro escrevia Benjamin Quinelle no “La Croix”, do mesmo dia, que ” eles se colocaram de acordo para que o Irão e a Coreia do Norte não tenham armas nucleares”. Não deixa de ser surpreendente (quer dizer: si vis pacem para bellum – se queres a paz prepara a guerra) ler no artigo do “Le Monde” de 26 de Fevereiro a propósito do programa nuclear: “O Irão eleva a voz”, num apontamento que opõe este país à Europa e Estados Unidos.

É também digno de nota o que se escreve no “El País” de 28 de Fevereiro: “A Rússia anunciou ontem a sua vontade de propor até 2006 o começo do fornecimento de combustível nuclear ao Irão (…)” Neste mesmo jornal do dia 1 de Março, dizia-se “Na sua ronda pela Europa, George W. Bush falou sobre a iniciativa de incluir incentivos económicos para que o Irão não leve por diante a construção do seu aparelho bélico nuclear, incluindo a sua entrada na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Se o modo de lidar com o Irão é um ponto de discrepância entre Estados Unidos e Europa, o mesmo acontece com a venda de armas à China. “A emergência da China na esfera internacional, com uma defesa cada dia mais activa dos seus interesses, impõe aos Estados Unidos uma mudança de estratégia geopolítica que modifica as relações que mantêm com os seus aliados.

A União Europeia, a instâncias da França, apressa-se a levantar o embargo de armas a Pequim, com a clara oposição de Washington.” (“El País” de 1 de Março).

Desde há anos que se vem falando na poluição do meio ambiente, no reaquecimento da Terra, nas mudanças de clima, na necessidade de contribuir para que os vindouros encontrem uma atmosfera onde a vida seja efectivamente cada vez melhor.

E se não andarmos rapidamente com mais respeito pela Natureza, “a história nos há-de julgar”.

No jornal “La Croix” de 16 de Fevereiro, o antigo primeiro-ministro Laurent Fabius, escrevia “a semana que começa vê a entrada em vigor dos famosos acordos de Quioto sobre o clima e a redução do gás com efeito de estufa.

É necessário alegrarmo-nos com este acontecimento, muito embora ele seja parcial – os Estados Unidos ainda não o ratificaram – e tardio, pois que já se passaram oito anos da data da sua assinatura. A questão das mudanças climáticas, devidas pela primeira vez à acção do Homem, é determinante para o nosso planeta (…).

Cada dia aumenta o gás com efeito de estufa e agrava a situação potencialmente irreversível e incontrolável”. No “Le Monde” desse mesmo dia podia ler-se: “Foram necessários muitos anos de difíceis negociações para se chegar ao número requerido de assinaturas dos Estados, face à oposição dos Estados Unidos depois da eleição de George W. Bush, em 2000.

Foi a Rússia de Vladimir Putin que permitiu esta reactivação do protocolo, ao qual não aderiram grandes países industriais emergentes, como a China, a Índia, igualmente grandes poluidores”.

No “La Croix” de 15 de Fevereiro dizia-se que, a seguir aos Estados Unidos, a China é o segundo poluidor, com 13.6% de emissões mundiais de gás com efeito de estufa.

Depois de chamar a atenção para a congratulação que deve existir por causa da entrada em vigor deste protocolo e de comentar a não satisfação pela parte de alguns estados – um deles o maior poluidor mundial – diz José Manuel Pontes, no “Faro de Vigo” de 16 de Fevereiro, “O protocolo de Quioto não é um tratado de História mas sim de responsabilidade política”.

“A França quer ir além dos objectivos afixados por Quioto (…). O presidente evoca a questão do clima com o senhor Bush (…).”

É digno de todo o registo o modo como o presidente Chirac tem vindo a lutar para que se vá mesmo além do mencionado no protocolo de Quioto para que o Homem, o antropos, continue a ter uma atmosfera para respirar.

P.S. – “Forças russas mataram o checheno Maskadov. O desaparecimento do moderado Maskadov deixa todo o protagonismo a líderes mais extremistas como Basáyev.”

“Bush assegura que a sua política deu origem a um degelo democrático no próximo oriente.” (“El País” de 9 de Março)

“Líderes mundiais e peritos em segurança, reunidos em Madrid para discutir o terrorismo.” (“Herald Tribune” de 8 de Março)

“Freitas do Amaral sucede a Monteiro. Um anti – Bush à frente da diplomacia portuguesa (…). Segundo os antigos amigos do CDS/PP a nomeação de Diogo Freitas do Amaral para os negócios estrangeiros é «perigosa» para Portugal.” (“Le Fígaro” de 8 de Março)




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