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Morreu Peter Benenson, fundador da Amnistia Internacional

Os membros da Amnistia Internacional são verdadeiros amigos dos presos esquecidos e para os ajudar não olham à idade, raça ou condição social

N/D
12 Mar 2005

Morreu há dias Peter Benenson, fundador da Amnistia Internacional, um homem que dedicou parte da sua vida na defesa dos direitos humanos, sempre preocupado com os outros.

“Temos de ver os direitos humanos como um todo, mas temos também de nos preocupar com os indivíduos. Esta foi a marca que Peter Benenson legou à posteridade”, declarou a directora da secção portuguesa da Amnistia Internacional.

A Amnistia Internacional é uma organização, senão a única, que está preocupada com o indivíduo. “Além de denunciar situações de violação dos direitos humanos e de intervir para melhorar a legislação, por exemplo, pretendemos ajudar os indivíduos que sofrem violações dos direitos humanos”, referiu Cláudia Pedra.

A fundação da Amnistia Internacional está fortemente ligada a Portugal. Numa manhã do ano de 1960, Peter Benenson ao ler o jornal deu com uma notícia que o chocou: dois estudantes portugueses tinham sido presos porque, num café, fizeram um brinde à liberdade. O facto não era exclusivo de Portugal – estava generalizado a todos os continentes.

Após este incidente Peter Benenson resolveu organizar uma campanha para ajudar os presos por motivos religiosos, políticos, de sexo ou raça. Escolheu como símbolo do seu movimento uma vela acesa cercada por uma chama – é o símbolo da «vela da esperança».

Por isso foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz em 1971.

Nascido em 31 de Julho de 1921, era o filho mais novo de um banqueiro judeu de origem russa. Muito cedo, já na escola de Eton, se manifestou contestatário, queixando-se da qualidade da comida que ele considerava má.

Aí começou a aliciar os companheiros para juntarem dinheiro e ajudarem os judeus que emigravam para a Grã-Bretanha fugidos às perseguições dos nazis na Alemanha.

Irene Khan, secretária-geral da Amnistia Internacional diz dele: “Levou a luz às prisões, denunciou o horror das câmaras de tortura e a tragédia dos campos de morte pelo mundo” (…) Foi um homem cuja consciência brilhou num mundo cruel e terrível, que acreditava no poder das pessoas simples fazerem mudanças ex-traordinárias”.

Os membros da Amnistia Internacional são verdadeiros amigos dos presos esquecidos e para os ajudar não olham à idade, raça ou condição social. No Natal não se esquecem de lhes mandar um cartão de Boas-Festas o que representa um grande conforto.

A Amnistia conta com um milhão de voluntários, bem como com sócios benfeitores, advogados, médicos, jornalistas e estudantes. Como ponto de honra não aceita dinheiro dos governos ou entidades duvidosas. A Amnistia não se fica, porém, nas denúncias – age pela positiva e empenha-se em campanhas de ajuda aos desprotegidos. Ajudou as “avós da Praça de Maio” a procurar quase 10 000 desaparecidos.

A Amnistia Internacional também não se cala perante as execuções em grande escala que acontecem, por exemplo, na China, na Arábia Saudita, na Indonésia ou na Coreia do Norte. O mesmo faz com os países onde se dão «desaparecimentos» em massa.
Em 1966, Peter Benenson afastou-se da organização. Convertido ao catolicismo, dedicou-se à oração e à escrita, tendo fundado em 1980 a Associação de Cristãos contra a Tortura.

Parafraseando Fernando Pessoa podemos dizer: “Deus quis, o Homem sonha, a Obra permanece”. E assim continuará, contando actualmente com quase 2 milhões de membros.




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