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A história não pára

Não adianta estarmos a amaldiçoar a nova era, os novos tempos, os novos hábitos, pois o que era já não é e o que hoje é amanhã não será

N/D
12 Mar 2005

A cada hora e dia que passa, somos confrontados com dois mundos: o passado e o futuro. Embora o presente seja o mais importante, por ser actual e base de construção do futuro, é volátil e imensamente transitório. O que era há um segundo já não é: foi, e já estamos no futuro.

Vem isto a propósito da marcha imparável da história. Começou há milhares, se não milhões, de anos, e não pára um segundo. Avança ininterruptamente em direcção a um destino que não sabemos quando será nem o que será.

E nesta marcha indeclinável do tempo e da história não podemos ficar parados, sob pena de sermos alijados para qualquer canto ou lugar.

É o que acontece a muitos que se aferraram ao seu conservadorismo e nele permanecem intransigentemente, indiferentes ao fluxo constante de novos dados e novos avanços da tecnologia e da ciência.

O homem cumpre o mandato do Criador: “Crescei e multiplicai-vos e povoai a terra; submetei-a e dominai sobre (o que existe no céu, na terra e no mar)”.

Na vida que Deus me deu, pude verificar que imensas coisas foram ultrapassadas e substituídas por outras novas e diferentes, que já foram e não são ou então fazem parte da memória dos povos em qualquer museu ou resguardo de coisas antigas.

Penso em tanta coisa, como as novas tecnologias de escrita, de comunicação e de acção à distância.

Não se cumpre o velho ditado latino: “Actio in distans est impossibilis”, a acção ao longe é impossível. Basta atentar nos comandos para abrir e fechar portas, nos foguetões e cápsulas enviadas para espaços interplanetários; e para tantos “click’s” que agem e movem o que queremos.

A Internet veio fazer deste mundo uma pequena aldeia em que todos estão próximos, mesmo à distancia de milhares e milhares de quilómetros. Assim também o telefone, o telemóvel, a televisão, o rádio e tantos outros engenhos de modernidade e aproximação.

Relacionando esta visão temporal e tecnológica com os planos ideológico, axiológico, político, religioso e social, verifico que há muita coisa que envelheceu e não soube actualizar-se. E, por outro lado, confundem-se coisas essenciais com acessórias, leis eternas e divinas com leis temporais e humanas.

E este foi um assaz sério problema que o Salvador da humanidade teve de enfrentar. Recordamos a contestação dos fariseus e escribas a propósito da lavagem das mãos antes de comer.

Acusaram Jesus e os discípulos de nem sempre o fazerem, mesmo que as tivessem puras como anjos, transgredindo, dessa maneira, o preceito ou lei. A resposta de Cristo foi: “Este povo honra-me com os lábios mas o seu coração está bem longe de mim. Em vão me prestam culto, ensinando doutrinas que são preceitos humanos” (Mt. 15,8).

Seguidamente, mostrou-lhes como transgrediam a lei de Deus no 4.° mandamento, que manda honrar pai e mãe, declarando “corbã”, isto é, oferta sagrada, aquilo que os filhos deviam entregar aos pais, para se esquivarem de o fazer, ficando com ele e dispondo do mesmo a seu bel-prazer.

Referiu-se também aos alimentos, afirmando que não é o que entra pela boca, como carne de porco, que mancha o homem, mas o que sai da boca, como palavrões e maldições…

E tem sido nessa cegueira ideológica, confundindo preceitos divinos com costumes humanos, que o povo judeu vive, não reconhecendo o Messias que já veio, aguardando que apareça o que esperam…

Talvez “o apartar das águas” faça falta a outras organizações. Há muita coisa humana que foi válida em determinados contextos históricos, mas que hoje está desactualizada. O grande mel é contundir o que já foi escrito: o essencial com o acessório, o divino com o humano.

A história não pára. E não adianta estarmos a amaldiçoar a nova era, os novos tempos, os novos hábitos, pois o que era já não é e o que hoje é amanhã não será.




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