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Educar – a arte por excelência (25)

Nas crianças existe a matéria-prima de que são feitos não só os bons cidadãos, mas também os indivíduos inadequados, marginais, díscolos ou criminosos.

N/D
8 Mar 2005

Nestas circunstâncias, para além da natureza, necessita-se de outra instância – a educação – que conduz a pessoa humana a adoptar a sua forma definitiva.

Deste modo, a educação é uma “ajuda” que se dá à natureza (indivíduo).

Na verdade, e numa concepção dialéctica da infância, a criança possui um ímpeto humano que a impulsiona a crescer, a procurar e a correr riscos; todavia, essa tendência natural, que é positiva e acertada em certas situações, torna-se perigosa e desviada noutras, sendo preciso corrigi-la, questioná-la, completá-la ou aperfeiçoá-la.

Ora esta ajuda dada à realização da obra da natureza chama-se educação.

Esta função de síntese de princípios contrários, exercida pela acção educadora, implica logicamente uma tensão, que será inseparável do próprio conceito de educação.

Esta lógica activa e rumo natural são inevitáveis, visto que exigíveis pela própria existência humana, ou seja, a sua correcta realização supõe sempre um certo grau de tensão.

Griéger explica que a submissão do que, na personalidade, é inferior às exigências superiores implica violência e conflito. A partir de considerações mais antropológicas, G. Thibon ensina que “o Homem poderia ser definido como o animal que está em guerra consigo mesmo (pela dualidade interior a que se vê submetido)”.

Já Tusquets, constatando que a natureza é difícil, fala também de tensões existentes entre os diversos estratos que formam a personalidade, e crê que a educação constitui um auxílo para a natureza, de modo que incumbe à Pedagogia Geral propor soluções e meios educativos para que estas tensões, longe de perturbar e esterilizar a vida pessoal e colectiva, engendrem frutos benéficos para ambas.

Aliás, S. Agostinho admite que as dimensões (descontínuas e constratantes) que estruturam a personalidade humana são já não duas (a institiva e a racional), mas sim três, acrescentando-lhes o estrato social.

Neste contexto enquadram-se as palavras de Fermoso: “a educação é conquista da sabedoria, não do simples conhecimento.

Entre sabedoria e conhecimento não há sinonímia, nem sequer entre sabedoria e instrução. A aquisição de sabedoria está subordinada ao suporte espiritual da educação.

A sabedoria é o alimento do espírito, porque o sábio, para além de conhecer, ama e acredita no que sabe (de maneira que os princípios intelectuais se encarnam na realidade existencial) e faz intervir a vontade na conduta dominada pelo amor que troca o frio conhecimento pelo quente laborar”.




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