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As propinas

Tomava o meu café num curso de empreendedorismo e gestão para desempregados cá em Braga. Já trabalhei 10 anos mas os outros formandos eram finalistas ou em início de carreira.

N/D
8 Mar 2005

– O pessoal na universidade já não é como dantes. Havia tantas saídas à noite, era muito “fixe”… Está tudo uma pasmaceira.

– Por quê? – perguntei eu.

– Ahn… acho que é dos exames. É que agora paga-se propina e uma pessoa tem de estudar mesmo a sério para não perder dinheiro.

Confrontei outros finalistas com o argumento e a mesma opinião grosso modo. Se bem que muitos eram, mesmo assim, contra as propinas.

Sem generalizações, a verdade é que alguns abusavam mais do divertimento e estudavam bem menos tendo o erário público sustentado a sua “vocação da noite” e os seus repetidos exames de Setembro.

De facto, quando sai do “meu” bolso, dou mais de mim. Quando sai do “bolso público”, dou muito menos de mim. Também estudei e sei o que é pagar uma universidade particular e trabalhar a tempo parcial para viver com o fio de água pelo nariz.

Não critico, só constato.

Penso em quanto ganharemos todos com menos insucesso escolar e mais empenho nas universidades. Só neste aspecto, pela “aparente” negativa, bem hajam as propinas.

E, no fim de contas, haverá sempre tempo para um concerto dos U2, ou umas idas à discoteca, embora com moderação e à medida do bem de todos.

As propinas, se forem justas aliviando os mais desfavorecidos, têm as suas vantagens. Somos todos nesse sentido empreendedores e gestores de nós próprios.

Podemos continuar a usar crítica acéfala do sistema ou a integrar aquilo que são as dificuldades desse mesmo sistema vendo-as como oportunidades e, assim, conseguir ver mais longe.




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