Fotografia:
No reino da Dinamarca

Pelo espaço que ocupa, a notícia da agência poderia considerar-se insignificante. O seu eventual relevo virá da proveniência: a Dinamarca, um país de que pouco sabemos, a não ser que está uns bons pontos de avanço em várias matérias em relação a Portugal.

N/D
7 Mar 2005

«Prefiro uma escola multi-confessional que aceite, no mesmo grau, os símbolos muçulmanos, a uma escola que interdite as religiões», afirmou Bertel Haarder, ministro liberal da Educação e também dos Cultos.
Reafirmando o direito dos pais, como agora acontece, de inscreverem ou não os filhos na aprendizagem do catecismo na escola, Haarder rejeita uma secularização da escola «que faça desaparecer o canto litúrgico, as celebrações de Natal e os símbolos religiosos, como o que se passa na França e na Turquia».

Recorde-se que a Dinamarca é um país com 85% de protestantes luteranos. Também se não esquece que a maioria parlamentar se consegue com o partido liberal do Primeiro-ministro, os conservadores e a extrema-direita.

Coada toda a linguagem política ou confessional, importa chegar ao fundo da questão: o religioso não é um elemento recôndito ou clandestino do ser humano. Quem pratica ou propõe a “religião do secretismo” satisfará uma elite que forja pela calada um conjunto de interesses – esses ainda mais secretos. Apenas nos regimes totalitários e repressivos se entende que a religião se exerça nas catacumbas e se ensine em voz baixa.

O normal é que, salva a distância entre sociedade e comunidade religiosa, esta integre os elementos do todo cultural e social da cidade contemporânea. E quando os números são tão avassaladores, como no caso da Dinamarca (e de Portugal), não será o discurso azedo de uma minoria que imporá as regras para o povo que tem uma história inexplicável sem a componente religiosa.

Entre nós, o tempo parece propício à superação de ancestrais conluios ou animosidades entre Religião e Estado. Mas ainda há velhos do Restelo que não perceberam as raízes e os dinamismos da história actual. E muitas vezes falam em nome da juventude e do progresso. Há algo que não bate certo nesse discurso.




Notícias relacionadas


Scroll Up