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Reconheçamos as faltas da nossa história

Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós. Se confessamos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a iniquidade. Se dizemos que não somos pecadores, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. (1 Jo 1, 8-10)

N/D
5 Mar 2005

Na passada semana, o nosso país foi visitado pelo ex-presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano. Foi recebido solenemente, em Braga, e agraciado com um doutoramento honoris causa, na Universidade do Minho.
Desta visita sairam duas questões de enorme importância: o anúncio do perdão total da dívida de Moçambique a Portugal (cerca de 395 milhões de euros) e a inexistência de um pedido formal de desculpas às nações africanas pelo crimes do colonialismo (escravatura, sub-desenvolvimento, exploração dos recursos).

O primeiro caso (perdão da dívida) é fruto de uma plataforma de ajuda às nações menos desenvolvidas, por parte do chamado Clube de Paris, do qual Portugal faz parte, com mais 11 países. É, deveras, muito bom que o nosso país tenha dado este importante passo para ajudar aquela nação irmã, que atravessa graves problemas de saúde pública (Sida) e de falta de infraestruturas.

Pena é, como quase sempre, que não tenhamos sido os primeiros a dar este passo, visto terem sido os britânicos. Mas o importante é ajudar quem mais precisa e este gesto dá provas de querer mostrar o exemplo de Moçambique, em África. É imperioso apoiar a consolidação de uma verdadeira democracia.

Sobre a inexistência de um pedido formal de desculpas pelos crimes do colonialismo, também corroboro a opinião de Joaquim Chissano, que afirmou lamentar ainda ninguém ter dado tal passo, apesar de várias décadas após as independências das ex-colónias.

Seria muito útil e, em certa medida, pedagógico para as novas gerações assumir-se os erros da história e formalmente reconhecer que nem sempre agimos com humanidade para com as nações colonizadas.

O Papa João Paulo II deixou-nos o exemplo, no Ano Santo de 2000, ao pedir perdão pelos erros passados da Igreja, como as perseguições inquisitoriais e as cruzadas.

Reconheceu a verdade e o seu gesto foi bem acolhido e tido como exemplar.

Peçamos aos nossos políticos, agora saídos do sufrágio eleitoral, que tirem a peneira da frente dos olhos, leiam a História tal como ela é, e transmitam valores como a tolerância e o perdão, à nossa sociedade.




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