Fotografia:
8 de Março – Dia Mundial da Mulher

Celebra-se no próximo dia 8 mais um Dia Mundial da Mulher. Este ano para assinalar a data vou referir-me a algumas das muitas mulheres que deixaram o seu nome na história, entre muitas outras, e são a maioria que o espaço não permite abordar.

N/D
5 Mar 2005

A Mulher sempre teve e continua a ter um papel relevante na sociedade, quer na política, na educação, nas artes, nas letras, nas ciências, etc. Onde se encontra a Mulher sabe imprimir o que lhe é peculiar: a fortaleza, a atenção aos outros, a delicadeza, a ternura, o espírito de serviço, etc.
Começo por referir a Mãe dos Macabeus, que viu morrer seis dos seus sete filhos, depois de barbaramente torturados, sendo um exemplo ímpar de fortaleza. Aliciada pelos carrascos para que procurasse convencer o último filho a renegar a Fé, as suas palavras foram: “Meu filho, tem compaixão de mim, (…). Suplico-te que olhes para o Céu e para a terra (…) e que te capacites bem que Deus os criou a eles, e a todos os homens; com isso não temerás esse cruel algoz (…)”. Por fim também ela foi morta.

Joana d’Arc, a Donzela de Orléans, foi uma heroína francesa, nascida em Domrémy em 1412 e morta em Rouen em 1431. Viveu na altura em que a França estava sob o domínio dos ingleses. Convenceu o Rei a deixá-la comandar as tropas e obrigou os ingleses a levantar o cerco de Orléans, vencendo-os em Patay. Foi canonizada em 1921 e inspirou numerosas obras de arte, como a “Joana na fogueira”, oratória de P. Claudel e música de A. Honegger (1937).

D. Branca, mulher de Luís VIII de França e mãe de S. Luís, foi uma educadora na verdadeira acepção da palavra; dizia ao filho, futuro Rei – antes te quero ver morto que a cometer um pecado mortal. Duas vezes Regente do Reino, usou de grande sabedoria e prudência no seu governo.

Madame Curie, de seu nome de solteira Marie Sklodowska, polaca pelo nascimento e francesa pelo casamento, descobriu, em colaboração com o marido, Pierre Curie, o rádio, cujos efeitos terapêuticos são por todos conhecidos. Foi duas vezes Prémio Nobel: em 1903 de Física e em 1911 de Química.

Indira Gandhi, política indiana que chegou a Primeira Ministra do seu país. Era filha de Nheru, um dos artificies da independência da Índia. Apesar das limitações que a sociedade indiana impunha às mulheres, ascendeu a tão alto cargo, tendo sido antes Presidente do Partido do Congresso.

Bárbara Bush (mãe do actual Presidente dos EUA) foi a retaguarda do marido. Talvez sem ela nunca Bush tivesse chegado a Presidente dos EUA. Apesar de ser mãe de cinco filhos, nunca abandonou o marido, quer nas suas múltiplas deslocações, quer nos triunfos, quer nos fracassos (que foram muitos).

Aquando da Guerra do Golfo, as companhias de aviação norte-americanas estavam a sofrer graves prejuízos económicos por causa dos cancelamentos dos voos, com medo dos atentados terroristas. Bárbara, à revelia do marido, viajou num desses aviões de um Estado para outro, acalmando os ânimos e restabelecendo um clima de tranquilidade e confiança. E ela era um alvo preferencial…

Golda Meir, política israelita, nascida na Rússia em 1898, faleceu em Jerusalém em 1978. Militou no sionismo trabalhista; foi membro do Knesset pelo Mapai, ocupou a pasta do Trabalho (1949-56) e do Exterior (1956-66). De 1969 a 1974 ocupou o lugar de Primeira Ministra.

Maria Montessori, pedagoga italiana, criou um método pedagógico que motivava as crianças a desenvolver a memória (coisa que actualmente entre nós é tabu!); procurava despertar-lhes o gosto pela ordem, pelo trabalho, mas respeitando a liberdade e o espírito de iniciativa.

Vieira da Silva, de seu nome próprio Maria Helena, foi uma pintora portuguesa que nasceu em Lisboa em 1908. Passou no Brasil um período de sete anos de 1940-47, tendo deixado nesse país os murais da Universidade Rural do Rio de Janeiro.

A pintora Vieira da Silva inicialmente próxima do expressionismo, cedo deixa adivinhar uma inspiração vinda do meio ambiente, impregnada de uma sensibilidade de raiz bem portuguesa. Entre muitas outras recebeu a condecoração da Ordem de Artes e Letras (1962), o Grande Prémio da Bienal de S. Paulo (1962) e o Grande Prémio Nacional das Artes, em Paris (1963). Apesar de se ter naturalizado francesa, por sua disposição, alguns dos seus quadros vieram para Portugal e fazem parte do nosso património.

Florence Nightingale, enfermeira inglesa, foi percursora da moderna enfermagem.

Viveu entre 1820 e 1910. Para se consagrar aos doentes renunciou ao bem- -estar que lhe podia proporcionar a sua condição social. Dirigiu o Hospital de Inválidas de Londres e durante a Guerra da Crimeia (1854-1856) esteve à frente do Hospital de Sangue em Scútari, onde aplicou a terapêutica educativa e recreativa, com sucesso. Esteve presente na fundação da Cruz Vermelha e foi a primeira mulher inglesa a receber a Ordem de Mérito em 1907.

E … “como os últimos são os primeiros”, quero referir, em louvor da Mulher, o papel daquelas, e são muitas, que não constam, nem nunca constarão da História, que nunca foram galardoadas e jamais o serão neste mundo, cujas vidas decorreram escondidas no cuidado da sua casa e / ou na execução da sua profissão.

As noites de vigia à cabeceira do filho doente, não são notícia; as noites de vela (ainda mais angustiosas que as anteriores), à espera do filho que, altas horas, tarda em chegar, intuindo a mãe que não anda por bons caminhos, também não são notícia. O seu sacrifício, abnegado, escondido e heroicamente sorridente, só de Deus é conhecido.

Uma palavra final, em jeito de apoteose, para aquelas MULHERES, que confrontadas com levar para a frente uma gravidez, com risco da própria vida ou praticar um aborto, optam, como Gianna Berretta, pela maior prova de Amor: dar a vida com a própria vida.




Notícias relacionadas


Scroll Up