Fotografia:
Direito a morrer com dignidade

É preciso dizer basta às teorias que defendem a eutanásia, seja ela passiva ou activa. As pessoas não têm direito a morrer, têm direito a viver e a viver com dignidade, até ao último momento das suas vidas

N/D
4 Mar 2005

Não procureis a morte com uma vida desregrada nem susciteis a vossa perdição com as obras das vossas mãos. Deus não é o autor da morte nem se compraz com a destruição dos vivos. Pois Ele tudo criou para a existência, e todas as criaturas têm em si a salvação (Sabedoria 1, 12-14a)

Na última semana, aconteceram dois factos que merecem uma pequena reflexão, pois, se calhar, muitas pessoas nem sequer notaram a mínima relação entre elas. Penso, também, que a sua relação não é forçada, mas até simbólica.

Um dos factos é a saúde debilitada do Papa João Paulo II, o seu internamento e o acompanhamento mediático da sua caminhada ferida pela doença. Outro é a vitória do óscar de melhor filme estrangeiro, pela Academia de Hollywood, do filme espanhol “Mar adentro”, que retrata como um cidadão galego, tetraplégico, pôs termo à sua vida, depois de uma grande luta pelo “direito” à eutanásia.

Vemos nestes factos duas reacções perante o mesmo espectro da doença e da morte. Enquanto João Paulo II continua a transmitir a esperança àqueles que sofrem e vivem em sofrimentos motivados pelas doenças, afirmando com a sua vida que, apesar de tudo, enquanto há uma réstia de vida existe razão para se viver. Por seu lado, aquele filme mostra que mais vale morrer, matar-se ou ser ajudado a morrer, do que estar preso a uma cama, não podendo fazer o que se fazia e voltar a ser como se era.

Para João Paulo II, a vida terrena só tem sentido como caminho para a vida plena e eterna, junto daquele em quem crê – Jesus de Nazaré. Para Ramón de Sampedro (a pessoa que inspirou o filme), a vida terrena só tem sentido quando se pode fazer o que se quer, tendo perdido toda a esperança numa vida plena e transformada.
O que os separa é a profunda fé na vida eterna, razão mais que suficiente para continuar com esperança, apesar dos sofrimentos desta vida.

É preciso dizer basta às teorias que defendem a eutanásia, seja ela passiva ou activa. As pessoas não têm direito a morrer, têm direito a viver e a viver com dignidade, até ao último momento das suas vidas.

Os doentes, para os quais as ciências médicas já não têm resposta clínica a não ser o alívio das suas dores, devem merecer toda a atenção do Serviço Nacional de Saúde, sendo-lhes fornecida a hipótese de acederem a cuidados continuados e paliativos, quer junto das suas famílias, quer nas instituições hospitalares.

A pessoa humana tem direito a morrer com dignidade e paz, junto dos seus entes queridos. E a pessoa humana crente tem o direito de poder “suportar” o seu sofrimento, à semelhança e em união com as dores do seu Mestre, Jesus Cristo, que também sofreu e padeceu a mais infame das mortes. Mas, voltou à vida e renovou a esperança daqueles que o seguem.




Notícias relacionadas


Scroll Up