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Os desafios da humanidade

Saber quem é o homem, buscar os fundamentos para o seu desvelamento, é uma constante e nobre missão na tentativa de redescobrir a identidade humana

N/D
2 Mar 2005

Saber quem é o homem, buscar os fundamentos para o seu desvelamento, é uma constante e nobre missão na tentativa de redescobrir a identidade humana.

Pois, esta dificilmente escolhe o momento de diluição e esvaziamento de sentido que as transformações sociais provocam no indivíduo e na sociedade. Assim, a procura dos fundamentos últimos de toda a pessoa humana encontra-se em cada ser humano e é em cada um e na globalidade de indivíduos, atendendo obviamente à humanidade e ao mundo, que teremos que repensar o caminho e o ponto de chegada da existência.

Todavia, este sentido que não se quer exclusivo, isto é, demasiadamente pessoalizado, tem que entrar no circuito da esfera global. Sem dúvida, que o sustentáculo que o assiste é tanto maior do que os constructos humanos, pois na sua base estará uma relação com o divino por meio de uma religião.

Será que somos impelidos a assistir ao absurdo da vida? Ela só será absurda quando reduzimos tudo às categorias humanas e aos valores instaurados arbitrariamente pelo ser humano, tendo como consequência previsível a insignificância relacional com Deus. O homem, ao eclipsar Deus do mundo, entregou-se à sua própria sorte.

E o que aconteceu? O homem vive numa tremenda confusão. Os valores exclusivamente hominizados ruíram e faliram na sua missão, vivemos iludidos na própria existência dançante.

Agora, Deus e a religião não passam de uma mitigação ancestral e de uma imaginação fértil (isto na consideração das sociedades altamente avançadas, que, por sua vez, influenciam o modo de vida dos povos à escala mundial, deturpando e ameaçando a bio-diversidade de confluências).

Ora, esta postura petulante e arrogante da humanidade levou à proclamação de uma única verdade: a verdade humana. No entanto, o antídoto inverteu-se e é precisamente esta pseudo-verdade do homem e tudo o que ela encerra que o iludiu a ele mesmo.

Cada ser humano sente-se enganado e atraiçoado pela própria estirpe humana. Deixamos de ser crentes, deixamos de acreditar em todo o fundamento da existência que é Deus, para simplesmente satisfazer os caprichos libertinos de um certo prometeísmo agrilhoado.

No entanto, apesar disto, indiscutível é a atenção que deve ser prestada ao outro ser humano enquanto pessoa relacional e dialogal, mas não numa linha exclusivamente horizontalista, onde a máxima é simplesmente o bem-estar regrado da humanidade.

Este estado de perfeição, que poderá ser egoísta e concupiscente, não é possível sem uma clara alusão e estrutura de diálogo, interioridade e intimidade comunhão com o transcendente. Sem Deus e sem religião a sociedade vive somente em realidades virtuais, efémeras e agastadas pelo curso do tempo e do espaço.

Sem estes dois pressupostos a sociedade desumaniza-se, anti-ficciona-se e aproxima-se daquilo que há de mais semelhante à restante criação. Facilmente cai em ideologias ocas, formadas a partir do interior e da acção lógica de cada um. Assim, em pouco tempo, cada indivíduo possui um sistema ideológico intolerante e despersonalizado.

Deste modo, toda a pessoa é dotada de inteligência, força racional capaz de criar, inventar, imaginar e concretizar, mas também possui afectividade, sensibilidade e um sentimento íntimo que lhe permite, através de uma permuta constante e interligada, uma religação amorosa e concreta com Deus.

Assim, a nossa vida, mais do que procura de sentido, adquire um fundamento último e autêntico na intervenção que fazemos ao longo da nossa história e da história da humanidade.

Ora, o desafio do homem estará em encontrar em cada pessoa aquilo que nela é mais sublime, considerando as referências convergentes e despojando os antagonismos melindrosos. E a partir daí o ser humano resolverá os problemas que ele próprio criou em nome de um progresso universal.

Todavia, não se poderá esquecer de que o mundo não é um objecto que se produz, desfaz e refaz, pois ele limita as fronteiras da nossa acção e do nosso pensamento. Aquilo que se tenta realizar com o mundo é aquilo que no quotidiano das sociedades se faz com o ser humano numa indiferença mutilante.

Assim, tornamo-nos demasiadamente coisificados para compreender a própria espiritualidade da humanidade!

Esta é precisamente composta por sujeitos que formam as sociedades e cada um de nós se identifica com ela, porque tomamos parte da sua idiossincrasia!




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