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Para a frente é que é o caminho!

Contados que estão os votos das eleições legislativas, eleito que está o próximo governo de Portugal, cabe relembrar que aquelas que foram as promessas de quem pediu uma maioria absoluta, não podem deixar de ser cumpridas, sobretudo porque os eleitores fizeram-lhes a vontade.

N/D
1 Mar 2005

O Eng. Sócrates prometeu criar 150.000 novos postos de trabalho, prometeu um choque tecnológico, prometeu um referendo, prometeu mundos e fundos… disse que só precisava de uma maioria absoluta para pagar a promessa e foi feita a sua vontade… agora resta arregaçar as mangas e cumprir com a sua palavra. Quanto a mim espero para ver!
Estas eleições foram sem margens para dúvidas uma derrota para o centro-direita em Portugal. Essa é a conclusão mais lógica e perceptível de todas as que podemos deduzir da análise dos resultados. Mais haverá a dizer sobre o assunto e mesmo sujeito a interpretações menos fiéis das minhas palavras, vou tentar analisar o assunto.

O país assistiu impávido e sereno a um golpe de estado presidencial, sem sequer se perguntar como é possível um Presidente dissolver uma Assembleia da República que sustenta um governo de maioria absoluta, quatro meses depois de o ter empossado.

Ninguém pergunta por que razão Jorge Sampaio não convocou eleições em Julho de 2004? Eu respondo sem rodeios: porque o Partido Socialista não tinha condições para se bater numas eleições legislativas. O Presidente da República Portuguesa esperou que o PS se organizasse, encontrasse um líder que fosse galvanizador, ou pelo menos melhor do que Ferro, que todos sabemos que era fraco, para poder apresentar-se a eleições em condições de ganhar.

Depois foi só esperar as primeiras fragilidades de um governo recém-formado, para na primeira oportunidade dar a facada final. A irresponsabilidade e a imoralidade patente neste acto do Presidente da República é de arrepiar e só os mais distraídos não se apercebem dos precedentes que aqui podem ter sido abertos… espero que o futuro não me dê razão.

O facto é que a Assembleia da República foi dissolvida, foram convocadas novas eleições e os partidos teriam de se organizar para este combate político.
Cabe referir que se, por um lado, o PS partiu para esta campanha já certo da vitória, por outro tudo poderia ter acontecido se as coisas decorressem com normalidade.

O facto é que se o PSD não se uniu em torno do seu líder, também é verdade que a comunicação social deu as suas facadazinhas e é de realçar que determinados casos tiveram impacto um milhão em Santana Lopes, enquanto outros semelhantes tiveram apenas mil em Sócrates.

Desde logo é preocupante a diferença de tratamento entre estes dois candidatos na comunicação social. Será importante reflectir se não chegamos já a um ponto onde a parcialidade dos órgãos de comunicação social não deve começar a ser melhor regulada e controlada. Liberdade de imprensa não significa favorecimento a este ou àquele, mas sim tratamento igual. Esta é já uma velha confusão…

Mesmo assim Santana poderia ter-se batido melhor pela vitória porque mesmo “contra os ventos e marés” dentro e fora do seu partido, faltou-lhe o fogo de outros tempos e a assertividade que lhe deram a imagem de marca e o tornaram num galvanizador de eleições. Esse brilho… essa capacidade mobilizadora, demolidora de Santana que o fizeram ganhar eleições no passado, contra tudo e contra todos, era o factor de viragem que poderia condicionar o resultado que se veio a verificar.

Paulo Portas é o homem que resolveu fazer uma campanha diferente, sem confrontos, sem ataques pessoais, apenas apostando numa campanha pela positiva, tendo como vector fundamental a apresentação de ideias concretas para resolver os problemas do país, incluindo os rostos que os Portugueses poderiam contar nas mais diversas áreas de governação.

Partiu para o combate de peito aberto, deu a cara à luta, foi directo, mostrou o caminho, apontou os erros com uma mão, indicando as soluções com a outra, mostrou a competência daqueles que pela mão dele estiveram no governo de Portugal e fez questão de realçar a obra feita, porque foi muita.

Soube estar, soube fazer política, elevou o nível do discurso, dispôs-se a ir a debates sem medo, porque é autêntico e não um holograma de si mesmo, fez aquilo que se pode chamar de uma campanha limpa e esclarecedora. O partido esteve com ele do princípio ao fim e uniu-se em torno daquele que é um dos melhores políticos portugueses de sempre.

Eu senti um orgulho imenso em fazer parte das listas do CDS pelo distrito de Braga e em estar no terreno a fazer campanha, pela positiva, por Braga e por Portugal. Portas valeu o esforço, valeu o cansaço porque fez política a sério e com muito nível.

O resultado é o espelho da avalanche que varreu o centro-direita português, sendo certo que apesar de tudo o CDS apenas perdeu dois deputados na Assembleia da República. Sabemos que merecíamos mais, sabemos que Portas merecia mais. Mas somos democratas e como tal respeitamos honrosamente os resultados eleitorais e esse é desde logo o primeiro sinal da vivência democrática.

Respeitamos as eleições, respeitamos a vontade da grande maioria dos portugueses e saberemos estar à altura daqueles que em nós votaram. Não esperamos por qualquer golpe palaciano para chegar ao poder, e quando lá estivemos saímos de consciência tranquila e noção de dever cumprido.

Portas saiu em grande, teve nível, teve coragem e reafirmou ser aquilo que sempre foi: um político da mais elevada qualidade intelectual e humana que existe em Portugal. O CDS não ficará mais pobre com o fim da sua liderança, porque Portas terá sempre o seu lugar de destaque, conselheiro, nos quadros do partido. Resta-me esperar que aquilo não tenha sido um “adeus” à liderança, mas antes um “até breve”…

Temos consciência que este foi também o voto de quem já estava farto de eleições, farto de combates e como tal esta é também a maioria absoluta do cansaço, porque afinal de contas, os três últimos governos não chegaram ao fim das legislaturas.

Mas como se costuma dizer, para a frente é que é o caminho e como tal iniciamos desde já um novo ciclo, um ciclo de renovação e esperança que culminará com as autárquicas de 2005.

Aqui, como em muitos outros concelhos do país, há um poder viciado que precisa de ser derrotado e o CDS estará certamente no combate, com ideias, com juventude, com prosperidade, com a ambição de quem sabe para onde ir e como ir… porque o nosso sonho é Braga!




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