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É só mais uma carta…

A festa acabou. Durante o espectáculo muita gente apoiou com entusiasmo os corredores, mas nem todos viram quem vestia a sua camisola chegar em primeiro lugar. É assim na política, é assim no desporto, é assim nas escolas, no trabalho e por aí adiante. É a lei da vida.

N/D
1 Mar 2005

É justo, pois, que a medalha seja para quem correu melhor e chegou primeiro. As regras do jogo foram respeitadas, os árbitros não fizeram batota pelo que é legal e legítima a atribuição do prémio a quem, o mereceu.
Claro que na boca de quem perde fica sempre um certo amargor, uma certa mágoa inconfessada, com laivos de frustração. Mas os bons desportistas sabem ultrapassar tudo isso, e tratam logo de se preparar para as próximas competições. E como a voz do povo é soberana e consagra os vencedores, – o povo é quem mais ordena – o melhor é que todos participem na alegria de quem ganhou.

Quanto à vitória do corredor que no dia 20 de Fevereiro em primeiro lugar cortou a meta, está de parabéns.

Resta-me, no entanto, uma dúvida, que me leva a fazer-lhe – ao vencedor – uma pergunta. É uma pergunta muito pequena:

– E agora? No fim das primeiras horas de ressaca da festa, o que vamos ter?

Ouviu-se falar em muitas coisas boas e bonitas. Venham elas. Todos estamos à espera. Mas vou só referir-me a uma, que é importante. Estou a pensar no choque tecnológico. Convenhamos que até faz falta. Quantos de nós ainda somos, ou quase, analfabetos funcionais! Mas, cuidado! É importante, mas não é tudo.

Pode ajudar muita coisa, se bem conduzido. Entre nós, principalmente na administração pública, as tecnologias – os computadores – têm dado tantos problemas! Quem não se lembra no recente concurso de professores? E no que vão dizendo os jornais sobre a máquina fiscal na cobrança de impostos? E sobre os atrasos na Segurança Social?

As tecnologias da informação em grande parte das situações são um verdadeiro quebra-cabeças. Digamos que um grande tormento.

Os computadores são máquinas. Há quem diga, até, que são inteligentes. Mas, nada disso. São estúpidos e cegos. Para além disso, quanto mais se usam mais se gastam.

Ao fim de poucos anos, o destino deles é a sucata. E está mais do que provado que apenas enriquecem os países que os fabricam.

O choque consiste em fazer de nós consumidores de tecnologias? Já o somos. É ver o que se consome por aí, tudo importado lá de fora. O nosso dinheiro a voar para o estrangeiro. O choque vai consistir em fazer de nós produtores de tecnologias, mas do último grito? E o dinheiro dos outros a vir para o nosso bolso? Se for esse o objectivo, e em parte pelo menos se chegar lá, a batalha estará ganha. Que bom será que possamos todos ver a aposta ganha.

Para chegar lá vou sugerir-lhe outra aposta, que o vai ajudar a ganhar a primeira e que se me afigura ser muito importante. É a aposta nas pessoas. E neste caso, quem diz pessoas diz trabalhadores, população activa. Mas diz também juventude a preparar-se para ingressar no mundo do trabalho. Elas – as pessoas – são, como dizem os japoneses, o melhor software. São elas que usam e rentabilizam as máquinas.

Como acima referi, as máquinas quanto mais se usam mais se gastam. As pessoas quanto mais trabalham mais experiência e saber acumulam. Cada dia que passa podem ficar mais aptas e melhor preparadas para as novas competições. Primeiro as pessoas, depois as máquinas.

Se as apostas começarem por aí, se souber preparar e mobilizar as pessoas, criando condições para que participem nas duras competições que se avizinham, todos nós lucraremos, e o doce sabor da vitória que o povo lhe deu, permanecerá – acredito – por muito tempo.

Vamos a isso! O país é pequeno. Todos o sabemos. Mas o povo é grande.




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