Fotografia:
E agora?

Agora é hora de saber governar, senhores do PS

N/D
28 Fev 2005

Todos estamos ansiosos por ver o PS governar o País. O povo outorgou-lhe uma maioria indesmentível, num acto eleitoral em que a abstenção também foi derrotada.
Se lhe deu essa maioria confortável é porque entendeu, e no nosso entendimento entendeu muito bem, que Portugal precisa de estabilidade política para quatro anos. É enorme a responsabilidade que ao PS é imputada; mas estamos crentes de que o governo do partido maioritário saberá ressarcir-se dos erros do passado e emendar as políticas que levaram o País à ruína. Uma vez quem quer cai. São ciclópicos os problemas que tem para resolver. E as esquerdas da esquerda começam a apertar.

Mas por algum lado há-de começar mas que não caia na tentação de governar à Tomé da Póvoa que queria começar a sanear as contas dos Fidalgos da Casa Mourisca pelo levantamento das estátuas derrubadas da alameda, isto é, pela aparência. Em Portugal tudo é para ontem.

Os eleitores são como os adeptos dum clube de futebol que luta pelo título, não têm tempo para esperar, não aceitam derrotas, não querem saber se ainda agora chegaram, nem suportam desculpas. Querem resultados imediatos ou pelo menos os primeiros sinais de que as coisas estão a ir para a frente.

Mas há um problema mais prioritário que os outros: o combate ao desemprego. A pobreza é uma consequência directa desse mesmo desemprego. Resolvido o primeiro o outro virá por acréscimo. Isto é muito mais importante e muito mais prioritário que o referendo ao aborto tão do agrado dos bloquistas. As estátuas derrubadas podem esperar. Estamos confiantes de que o PS tem capacidades para distinguir entre o prioritário e o que pode ainda esperar um pouco mais.

Estes problemas são de mim e de você e do País e, por isso, também não podemos ficar de sacada a assistir ao desfile. Mas não é, infelizmente, o que se ouve e vê nas televisões. Os debates estão muito centrados nos comos e nos porquês das derrotas ou das vitórias dos partidos que foram a votos no dia 20 de Fevereiro.

Como se isso tivesse já algum interesse para Portugal! Como se isso não fosse, apenas e só, de interesse partidário! Eles que se entendam, como diz o povo. Deixem que cada partido faça as suas análises para definir as novas estratégias. O problema é deles e não da Nação.

Os problemas nacionais sobrelevam-se aos interesses partidários. O que se deveria estar a debater era a economia deste País, as finanças do Estado, a saúde pública e a educação, a segurança, etc. etc. Assim é que ajudaríamos a ver melhor e mais rapidamente os problemas que este governo tem de resolver.

Que interesse tem para o País quem vai ser o sucessor de Paulo Portas ou se Marques Mendes ou Filipe Menezes vão ser candidatos a líderes do seu partido, no próximo congresso do PPD/PSD? Estas políticas menores, que fazem as manchetes dos jornais e as aberturas dos telejornais, são como as revistas cor de rosa que, sem nada dizerem de essencial, entretêm os néscios e fazem medrar os mexeriqueiros.

A comunicação social sabe a clientela que tem e, por isso, vende estas coisas ao desbarato. São coisas de latão, não são de ouro. As de ouro não têm saída. A comunicação social deveria fazer um esforço para dar apenas voz às grandes questões nacionais, às de autêntica utilidade pública e não dar importância aos comentadores do alheio, porque por muito apreço que tenha o lado anedótico das questões do solheiro o que conta é o País. Nada cai do céu; o que havia de cair já caiu há muito no deserto.

Mas esta seriedade tem de ser compartilhada pelos governantes para que o povo não seja solista duma orquestra desafinada. E agora? Agora é hora de saber governar, senhores do PS.




Notícias relacionadas


Scroll Up