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Cultura mediática exige conversão cultural

O fenómeno actual das comunicações sociais impulsiona a Igreja a uma espécie de “conversão” pastoral e cultural para estar capaz de responder de maneira adequada à mudança de época que estamos a viver.

N/D
28 Fev 2005

Desta exigência se devem tornar intérpretes, sobretudo, os pastores: é importante trabalhar para que o anúncio do Evangelho se faça de modo incisivo, que estimule a escuta e favoreça o acolhimento» – diz João Paulo II na carta apostólica «Rápido desenvolvimento» n.º 8, dirigida aos responsáveis das comunicações sociais.
Com data de 24 de Janeiro – dia litúrgico de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas católicos – e difundida em finais de Fevereiro, o Papa procura situar os “fazedores” da comunicação social dentro do espírito do decreto conciliar «Inter mirifica» (4 de Dezembro de 1963), numa atitude actualizada «do uso das técnicas e das tecnologias da comunicação contemporânea» neste terceiro milénio.

Esta mudança de mentalidade, segundo João Paulo II, deverá perceber-se naquilo que os meios de comunicação social podem fazer num «apoio excelente para difundir o Evangelho e os valores religiosos, para promover o diálogo e a cooperação ecuménica e interreligiosa».

De facto, através dos meios de comunicação podemos fazer transpor das portas da igreja os valores evangélicos, ajudando a apresentar «os princípios indispensáveis para a construção de uma sociedade respeitosa da dignidade da pessoa e atenta ao bem comum».

Quantas vezes temos visto serem exploradas debilidades das pessoas, num quase vouyerismo colectivo. Os ditos “reality-shows”, que tanta audiência têm dado às televisões, ajudarão a dignificar as pessoas? Certas notícias (pseudo)-informativas salvaguardam a privacidade dos seus intervenientes? Algum jornalismo – amarelo, rosa, do coração, do jet-set ou do sensacional – vende à custa da bisbilhotice e da maledicência: será preciso descer ainda mais baixo?

Por outro lado, os meios de comunicação devem fazer crescer a «cultura da responsabilidade», através do pluralismo, favorecendo «o diálogo e convertendo-se em meios de conhecimento recíproco, de solidariedade e de paz».

Neste aspecto tem de haver, por parte de todos os intervenientes do processo de comunicação uma capacidade de informar ou não informar, mostrar ou não mostrar, realçar ou fazê-lo sem grande (ou em pequeno) destaque. A própria Igreja Católica terá de ir aprendendo a conduzir-se no trato com os meios de comunicação e mesmo relativamente às suas notícias, projectos ou iniciativas.

Terminamos com três desafios – pertinentes, audazes e sensatos – com o Papa termina esta carta apostólica “Rápido desenvolvimento” (n.º 14):

* Não tenhais medo das novas tecnologias, pois estas se bem usadas permitem-nos «descobrir, usar e dar a conhecer a verdade»;

* Não tenhais medo da oposição do mundo, pois Jesus já venceu o mundo e nós somos seus discípulos hoje na força do Espírito Santo em Igreja;

* Não tenhais medo da vossa debilidade e da vossa incapacidade, pois, como cristãos, somos chamados a comunicar a mensagem da esperança, da graça e do amor de Cristo.

Quem assim nos impulsiona é um Papa com quase oitenta e cinco anos e mais de vinte e cinco anos de pontificado e muito doente. Seremos dignos da sua ousadia ou preferimos as nossas cautelas de pessoas sem o mínimo de fé?




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