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Pela imprensa estrangeira

A partir de 20 de Janeiro vários jornais se referiram a Portugal, quer à gastronomia do Minho, quer à tradução de Eça de Queirós por Tecla Portela, quer à morte da Irmã Lúcia, quer à campanha eleitoral.

N/D
27 Fev 2005

Portugal antes das eleições
A partir de 20 de Janeiro vários jornais se referiram a Portugal, quer à gastronomia do Minho, quer à tradução de Eça de Queirós por Tecla Portela, quer à morte da Irmã Lúcia, quer à campanha eleitoral.

Vamos destacar o que a 20 de Janeiro se escrevia no “El país” e fazendo eco das palavras de António Vitorino: «O modelo económico e social português está esgotado. Temos uma taxa de fracasso e abandono escolar que é das mais altas da União Europeia. Portugal necessita de medidas muito difíceis porque vão contra correntes enraizadas e interesses instalados».

No dia 18 de Fevereiro foram muitos os jornais estrangeiros que se voltaram para o nosso país. A título de exemplo, dizia “La vanguardia”: «As previsões apontam para uma maioria absoluta dos socialistas em Portugal»; e mais adiante: «Críticas ao Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, por romper a neutralidade do seu cargo e intervir na campanha».

No “Le Fígaro” podia ler-se: «Portugal, o Partido Socialista é dado como vencedor Domingo aquando das legislativas antecipadas. O marasmo económico ameaça a direita portuguesa no poder». Por sua vez lia-se no “Le Monde”: «Sucesso anunciado do PS português». Este diário transcrevia, além de outras, esta afirmação de Sócrates: «Miterrand foi o meu mito, mas a fonte da minha inspiração são os países nórdicos».

Também a respeito de Durão Barroso se escrevia: «Durão Barroso é criticado por ter apoiado a direita portuguesa».

O “ABC”, sempre referindo-me ao dia 18, dizia: «Lisboa, cenário decisivo na recta final da campanha eleitoral portuguesa. A última sondagem dá a maioria absoluta ao Partido Socialista. Ex-líderes da social-democracia e socialistas apareceram nestes últimos dias de campanha eleitoral ao lado dos actuais candidatos a primeiro-ministro».

Ao cimo da primeira página do jornal “La Croix” podia ler-se: «Os portugueses tentados pela mudança (…) As tensões económicas e os debates da sociedade pesarão sobre o escrutínio de Domingo». Os portugueses votaram num clima de depressão económica. O debate sobre o aborto marcou a campanha eleitoral. Os portugueses interrogam-se sobre a sua economia, enquanto que o custo de vida é elevado e os subsídios europeus deverão baixar.

Já mesmo na véspera das eleições, o “El país”, ao cimo da página 4, integralmente dedicada a Portugal, escreve: «Os portugueses acudirão este Domingo à urnas numas eleições consideradas decisivas para tirar o país da recessão económica que sofre desde 2002.

O duelo é protagonizado pelo actual primeiro-ministro conservador Pedro Santana Lopes e pelo jovem líder socialista José Sócrates, favorito na maioria das sondagens». Traça-se, nesse jornal, o perfil dos dois principais candidatos a primeiro-ministro, dizendo que Santana Lopes é um populista da direita e José Sócrates um socialista moderado a quem compara a Zapatero.

O “ABC” de 19 de Fevereiro, fez eco da palavra de Vitorino dizendo: «Portugal só sairá da crise com um poder forte e credível». Acerca da maioria absoluta que alguma imprensa vaticina, diz Vitorino: «No passado já conhecemos situações semelhantes com a maioria absoluta a dois dias das eleições e depois não se confirmou. Por isso somos muito prudentes e a única sondagem que conta é o voto na urna no próximo Domingo».

Perante a pergunta do “ABC” «Quais são as medidas impopulares de que o país necessita?» respondeu Vitorino: «Tivemos a coragem de dizer que não prometíamos tudo a todos. Estamos conscientes de que vamos herdar um país europeu no qual o desemprego aumentou mais significativamente nestes três últimos anos, onde não foi realizada a consolidação das contas públicas (…)».

Nesse mesmo jornal se diz «Todas as sondagens dão como segura a maioria absoluta socialista. Pedro Santana Lopes, o primeiro-ministro cessante, continua confiando na vitória e pretende ser a surpresa da noite eleitoral contra todos os prognósticos».

Vamos fechar este “antes das eleições” com algumas considerações do “Le Monde” do dia 20 de Fevereiro: «Portugal, exclusão e desemprego no coração da campanha eleitoral. Um quarto dos portugueses atingidos pela pobreza».

Referindo-se a Setúbal dizia: «Nestes grandes arredores de Lisboa, há fábricas a fecharem umas após as outras», e da Bela Vista diz «Situada nas imediações de Setúbal, o quarteirão, que ironicamente se chama Bela Vista, é a imagem mesma deste “Portugal a duas velocidades” denunciado pelos programas eleitorais».

Portugal depois das eleições

«Os socialistas obtêm a maioria absoluta nas legislativas portuguesas, José Sócrates será o novo primeiro-ministro enquanto que o grande derrotado é o PSD de Santana Lopes», refere o “Faro de Vigo” de 21 de Fevereiro acrescentando que o resultado das eleições é o melhor da história do Partido Socialista, que antes nunca conseguira maioria absoluta.

«Os eleitores portugueses apoiaram o programa proposto por Sócrates, que disse durante a sua campanha que era necessária a maioria absoluta para formar um governo de esquerda moderada e aplicar um programa capaz de relançar o crescimento económico, de lutar contra o desemprego e a pobreza».

Por sua vez, pode ler-se no “El país”: «Os primeiros resultados dão maioria absoluta aos socialistas em Portugal. Os eleitores portugueses confiaram a solução da crise económica que vive o país ao Partido Socialista de José Sócrates».

O mesmo jornal escrevia «Não terá o carisma de Mário Soares, nem o prestígio internacional de António Vitorino, nem a experiência de António Guterres. Mas o Engenheiro José Sócrates, de 47 anos, acariciava ontem o que nenhum socialista tinha conseguido antes em Portugal: a maioria absoluta».

Neste jornal faz-se referência aos desafios do novo governo: «Tarefas hercúleas esperam o novo governo luso. Tudo em Portugal parece necessitar de uma intervenção urgente: a economia, as finanças, as instituições. Um sentimento de esgotamento atravessa o país e as tão pedidas reformas estruturais não podem ser mais retardadas.

Modernizar a economia e o país sem dolorosos custos sociais é o grande desafio. O sistema produtivo luso não logra modernizar-se. O modelo competitivo continua com base na mão-de-obra barata e pouco qualificada mas não a custos tão baixos que logram atrair novos investidores, que preferem os custos oferecidos pelos países asiáticos.

A modernização do Estado e das instituições – em especial da Justiça – são outras reformas essenciais. A burocracia e uma administração lenta e gigantesca, que consome mais de 80% das receitas fiscais, constituem graves obstáculos ao desenvolvimento».

Seguindo de perto o “ABC” de 21 de Fevereiro, podemos ver «Maioria absoluta dos socialistas portugueses nas eleições legislativas. Sério retrocesso do centro-direita que pode precipitar a demissão do seu líder, Santana Lopes».

A propósito da visita de George W. Bush à Europa destaca o “La Croix” de 21 de Fevereiro três pontos.

O primeiro: «O partido socialista não rompera com o Atlantismo»; segundo: terça-feira um português jantará com George W. Bush em Bruxelas – José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia conversará com o presidente americano acerca da relação União Europeia – Estados Unidos (…)”; terceiro ponto: «Mário Soares diz esperar agora que o seu país conduza uma política tipicamente europeia de aproximação aos outros Estados-Membros, designadamente a França e Alemanha.

«Nós somos atlânticos mas sem aceitar que os americanos administrem sós os negócios mundiais».

O “Le Monde” de 22 de Fevereiro dizia, além do mais: «Os socialistas vão relançar a economia portuguesa (…) O primeiro desafio do futuro governo de José Sócrates será de melhorar a competitividade do país numa Europa alargada».

Depois de referir que «entre o antigo laxismo socialista e a austeridade do centro-direita, o futuro governo irá encontrar uma nova via», e a respeito das fontes de inspiração de Sócrates, diz: «O livro de Edward Bernstein “O socialismo reformador” é para ele uma revelação».

Terminamos a leitura das referências da imprensa após as eleições com o título de um artigo do “Corrière della Sera”: «Portugal vai virar à esquerda». Aí se diz: «Os socialistas terão a maioria absoluta», dizia ser justo o ex-presidente Mário Soares, ontem à saída da sua mesa de voto.

A sua exteriorização foi censurada porque violava o silêncio eleitoral. E ainda com algumas palavras do “Herald Tribune” desse mesmo dia: «Os socialistas podem agora esperar quatro anos de alguma estabilidade».

Fazendo-se eco do pensamento de um especialista em ciências políticas do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Lisboa referia: «Eles (os socialistas) têm algum caminho livre para impor medidas duras».

As más notícias para eles resumem-se ao facto de a situação ser muito, muito difícil. Os problemas são complicados e os remédios não são claros, «(…) quer do ponto de vista prático quer político».

Este mesmo jornal diz que, no seu histórico discurso da vitória, José Sócrates reconheceu que os problemas existentes são verdadeiramente difíceis, mas «(…) podem ser ultrapassados».




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