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Alternância democrática

Escrevi aqui, em 13 de Agosto passado, sob o título GUERRRA FRATRICIDA NO PS, que “precisamos de políticos que façam da política um sacerdócio, que ponham acima de tudo o interesse nacional.

N/D
25 Fev 2005

Já tarda um Partido Socialista rejuvenescido, de gente nova…” Mais adiante, acrescentei: “… O PS é um partido sério e de alternância governativa possível quando na oposição. São, na verdade, o PS e o PSD que, sós ou coligados à direita, têm vindo a governar o País desde 1976…”. A seguir, em 7 de Outubro, voltei ao tema com o texto: “JOSÉ SÓCRATES – O DESEJADO…”.
Na verdade, entre os três candidatos, os dois que ficaram para trás, são políticos radicais e do antigamente. Contudo, antes de entrar em cena Santana Lopes ninguém, nem mesmo os socialistas, pensava que o poder lhe caísse de bandeja no colo tão cedo. Assim, é de concluir que o PS foi o refúgio dos descontentes, sobretudo, daquela mancha do centro, não fiel a ideologias partidárias, que surge sempre no momento certo para corrigir desvios à governação.

Quem mais contribuiu para a vitória histórica do PS foi Santana Lopes que, qual menina adolescente com pressa de ser senhora, quis correr a todo o gás para o cadeirão de Primeiro-ministro.

O povo não gosta de sucessão dinástica, em regime republicano. E o PSD da velha nata também não. Impunha-se, após a louvável corrida de Durão Barroso para Bruxelas, um Congresso, donde sairia certamente Manuela Ferreira Leite secretária do Partido ou, talvez Santana Lopes, mas com Manuela a suceder a Durão, de modo a não resultar a descontinuidade de que falou Marcelo na noite das eleições. Em democracia, tentar manipular a comunicação social é um pecado mortal. Depois as indecisões e contradições a repetirem-se a toda a hora.

Tudo isto a desafiar o quarto poder que não deixou de aproveitar a oportunidade de lutar pela sua derrota. Agora, o caminho é o regresso à Câmara de Lisboa ou a travessia do deserto para se recompor. Esperemos que do próximo Congresso saia um secretário credível com currículo sobretudo académico e conhecedores da área de finanças e economia. Perfis de Sá Carneiro, Mota Pinto, Cavaco Silva, António Borges.

E por que não Marcelo que já deu provas de credível secretário e só não veio a ser Primeiro-ministro por causa do caso Moderna com Paulo Portas. E Manuela Ferreira Leite não poderia vir a ser uma Margaret Thatcher lusitana? Agora José Sócrates ficará com a responsabilidade de apagar o passado que foi medíocre na governação desde o primeiro governo de Mário Soares que até chamava ditaduras de maioria às maiorias de Cavaco Silva. Mas esta nova maioria, até à boca das urnas, sem disfarce, aconselhou.

Os portugueses estão fartos de politiqueiros, dinossauros do tempo do PREC. É necessário acabar com a balbúrdia de pagar favores políticos com empregos, falsos empregos. A reforma da administração pública tem de continuar. Por ali penosamente se arrastam milhares de funcionários sem um papel para carimbar; na saúde não pode regressar-se às longas listas de espera de uma cirurgia; a Educação tem de se modernizar de modo a aproximar-se do modelo europeu.

Continuar com a luta contra a evasão fiscal e não travar a reforma do património. Em privado, vinha eu dizendo que a melhor coisa que podia acontecer ao PSD era perder as eleições e o pior que podia acontecer ao PS era ganhá-las antes de 2006. Terá de formar governo, mas com caras novas competentes, vindas mesmo de fora do seu partido. Escolher o homem certo para o lugar certo.

Governar exclusivamente no interesse nacional. Se vier a perder as eleições a seguir ao fim do mandato por ter governado bem, reduzindo a despesa pública, aumentando a produtividade e implementando as políticas possíveis sociais, entrará na história dos partidos dos grandes líderes como Sá Carneiro e Cavaco Silva. Aquele que talvez tenha saído antes de tempo da cena política por se ter tornado incómodo e este depois de nos ter proporcionado um ciclo de dez anos de era dourada a fazer lembrar o período de Péricles da velha Atenas.

Cavaco será certamente o próximo Presidente da República porque o povo não costuma pôr todos os ovos num só cesto. Mas torna-se necessário um PSD à sua imagem: competente e exigente. Parabéns ao PS por ter deixado os foguetes para a festa daqui a quatro anos, se o julgamento lhe vier a ser favorável, o que seria bom para este país que anda sem rei nem roque, desde Cavaco Silva. Com Vitorino, ex-comissário europeu com provas dadas, se não vier a ser travado, acredito que vamos ter governo com credibilidade a merecer as maiorias douradas de Sá Carneiro e Cavaco Silva.

Ele já preveniu: “não contem com facilidades”. E já foi respondendo com certa arrogância a uma pergunta indiscreta de uma jornalista: “Não vai ser a comunicação social a formar o governo, na rua, vão-se já habituando a isso”. Sócrates que o deixe trabalhar e que se entretenha com coisas menores porque durante a campanha não se afirmou como político carismático e esclarecido.

Dos três candidatos a secretário, foi o mal menor. Faço meu o slogan de Sá Carneiro: primeiro o País, segundo a democracia e terceiro o Partido. Sá Carneiro disse, em 1976, na sessão de aprovação do orçamento na Assembleia da República: “Governe bem, Dr. Mário Soares, que o meu partido não lhe vai criar problemas”. Liberto agora do dedo acusador da arrogante extrema-esquerda, esqueça os temas fracturantes do aborto, da eutanásia, casamento e adopção de crianças por homossexuais para não dividir o partido e os portugueses.

O caminho será árduo mas não há atalhos para o suavizar. As maiorias se não forem bem aproveitadas traduzir-se-ão em descalabro económico e financeiro. Não tenha medo de exigir sacrifícios, porque hoje, em Portugal, não há alternativa a essa drástica medida.

Seja diferente, regenerando o partido para não defraudar as expectativas de um eleitorado que o quis distinguir, leitorado, na sua maioria, do centro direito e não da esquerda.




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