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Unir o centro e a direita e endireitar Portugal

O povo manifestou nas urnas a sua vontade soberana. E foi claro no que disse: quer o PS a governar o país com maioria absoluta, mas também com responsabilidade absoluta; pretende que a direita e o centro-direita mudem de vida, se unam e, juntos, construam uma alternativa séria e credível para o futuro; e pensa que o resto da esquerda (PC e BE), apesar de não confiável para responsabilidades governativas, deve manter-se, pelo menos por mais algum tempo, para não deixar o Partido Socialista navegar nas meias-tintas políticas e ideológicas que caracterizaram os Governos minoritários de António Guterres.

N/D
24 Fev 2005

Devem, pois, os partidos e os políticos escutar e respeitar a voz do povo, assumindo cada um, no Governo ou na oposição, as pesadas responsabilidades que a todos oneram, neste momento crítico da vida nacional.
Mas se são ciclópicos e difíceis os trabalhos e decisões que aguardam o novo Governo, de quem se espera soluções urgentes para a reforma do sistema político, da administração pública e das políticas estruturais nas áreas-chave da justiça, saúde, segurança social, fiscalidade e economia, devo confessar aos meus estimados leitores que o que mais me preocupa neste momento é a divisão interna e a extrema fragilidade em que ficou mergulhada a direita e o centro-direita em Portugal, após a pesada derrota sofrida nas eleições legislativas do passado domingo.

Uma democracia forte e saudável carece, no mínimo, de dois grandes pólos que garantam opções ou alternativas políticas sólidas, em plena liberdade. E isso porque é da dinâmica que entre eles se estabelece, qual tese e antítese, que há-de resultar a síntese geradora de criatividade, da inovação e do progresso que devem ser apanágio de qualquer sistema de governo democrático.

Ora, perante a hecatombe eleitoral sofrida, é tempo de as forças políticas da direita e do centro-direita analisarem, cuidada e serenamente, as causas da pesada derrota – os votos do PSD e CDS totalizaram 36%, ou seja, menos 9% de que o PS sozinho e menos de 20 e tal por cento do que o conjunto da esquerda – e tomarem as resoluções que o interesse nacional reclama. E, para este efeito, aí estão, com singular oportunidade, os já aprazados congressos extraordinários de ambos os partidos, de que se esperam sábias e ponderadas decisões.

Sem apelo nem agravo, o veredicto popular condenou a mediocridade do Governo chefiado por Durão Barroso e a demagogia, o populismo e a inabilidade que, de uma forma geral, marcou o Executivo liderado por Santana Lopes. Mas condenou igualmente a falta de princípios e de ideologia na acção política e a manutenção de prebendas e mordomias de uma classe dirigente que, hoje como ontem, continua a viver à sombra do Estado e dos interesses que em torno deste gravitam.

Condenada foi igualmente a atitude oportunista de Paulo Portas de tentar demarcar o CDS do seu parceiro da coligação, depois de proclamar total “lealdade” para com este. Mais uma vez, ficou demonstrado que nenhuma alternativa de centro-direita poderá consolidar-se em Portugal sem o PSD ou contra o PSD. E que, naturalmente, competirá a este partido a liderança de tal bloco.

Perante os ventos socialistas que varreram o país quase de lés a lés, é tempo de empreender uma histórica viragem político-partidária, promovendo a união das forças do centro e da direita para fazer face às importantes eleições autárquicas que se avizinham e ao decisivo combate das próximas eleições presidenciais.

Para esse efeito, importa que dirigentes e militantes de todos os partidos dessa área interiorizem que nenhum deles é dispensável para a política portuguesa e que, dadas as suas grandes afinidades de princípios e valores, só terão a ganhar se unirem vontades e esforços numa parceria marcada pela lealdade e respeito mútuo. Ponto é que saibam fazer do princípio da subsidiariedade do Estado na economia, no ensino e no social e da defesa dos valores da vida e da família e das convicções éticas e morais o cimento aglutinador dessa desejada união.

E tudo isso com humildade e sem vedetismos pessoais. Com homens e mulheres de bem, determinados a servir a sua comunidade e o seu país. Com frontalidade, com inteligência, com verdade e com coerência.

Só assim será possível unir o centro e a direita e endireitar Portugal.




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