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Que lições colher do último acto eleitoral?

As eleições do passado domingo (20 de Fevereiro) trouxeram-nos várias incidências não só numa análise das causas que levaram aos resultados obtidos (seja qual for a perspectiva), mas também em relação às consequências a curto e médio prazo ou, sobretudo, tendo em conta diversas vertentes quais as lições que todos – vencedores, vencidos ou abstencionistas – temos de tentar compreender.

N/D
23 Fev 2005

*Que realidade socio-cultural?
– Diante da votação expressa pode ver-se que a “esquerda” eleitoral (três partidos com representação parlamentar) ocupa dois terços dos votos expressos, tendo a “direita” (dois partidos com representantes) apenas um terço das escolhas.

Haverá, de facto, uma divisão tão pronunciada ou terão sido apenas circunstanciais as simpatias manifestadas pelo voto? Esta mudança significará algo de sentido económico ou terá uma leitura mais profundamente cultural?

* Apostar num líder ou numa equipa?

– Numa característica cada vez mais habitual vimos serem apresentados como rosto dos vários partidos (particularmente) os seus líderes. Nalguns casos a aposta roçou o “culto da personalidade” e isso fez com que os derrotados venham a pagar com a destituição (imediata ou remota) das respectivas lideranças.

Onde estavam os “barões” de outras eras? Até onde irá a recuperação de certa “tralha” já vista? Como pode o “colectivo” servir de suporte à debilidade do timoneiro? Até onde irá o triunfalismo de certos “intelectuais” mais aguerridos e radicais?

*Protesto ou projecto?

– Uma das leituras possíveis dos resultados eleitorais foi que o povo votante – a abstenção foi de trinta e cinco por cento (mais de um terço dos recenseados) – puniu o governo e quis uma mudança.

Só que os proponentes desta nunca disseram claramente como é que tal vai acontecer. Não se viu um elenco governativo pré-eleitoral dos mais votados: terá sido por medo, por prudência ou por falta de interesse dos “mais capazes”?

Por quanto tempo mais teremos de aguentar com os fantasmas da incompetência dos anteriores?

* Informar ou manipular?

– Durante meses a fio alguma comunicação social foi servindo – qual cicuta em conta-gotas – notícias, comentários, empolamento, exploração de episódios… em desgaste do poder, mais ou menos consentâneo com os objectivos de mudar, punindo.

Mesmo em certas reportagens (sobretudo televisivas) notava-se a tendência para algumas forças, criando blocos de opinião e ajudando sabe-se lá porquê… Quem ganha com este espectáculo?

O povo sabe o que se passa ou o que lhe dizem que se passa? A quem interessa expor certas figuras e torturar/proteger outras situações?

* Valores éticos ou luta social?

– Na sanha anti-cristã de algumas forças foi prometido para muito breve – pretendem que seja já em Julho! – novo referendo ao aborto, criando com isso o aproveitamento da movimentação social estimulada pelos resultados conseguidos.

Até onde irá o silêncio cúmplice de certas personalidades da Igreja Católica portuguesa em não apresentar com mais clareza, insistência e oportunidade os grandes temas que motivam a pregação do Papa?

Terá a Igreja desistido de ser uma força interventiva no campo cultural e da educação? Onde estão os alunos formados nas escolas (seja qual for o nível de ensino) católicas, dando a cara pelos valores nelas ensinados?

Será que a Igreja só interessa quando faz (substitutivamente) o papel social – afinal ocupando-se do que ao Estado compete porque é este quem recebe os impostos e depois explora o fruto das esmolas – e torna-se inimiga quando apresenta os valores da vida, da família e da fé?

Portugal não está só em crise.

Portugal está em convulsão. Será que já todos percebemos a confusão em que nos enredamos?

Está na hora de acordar.




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