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819. Senhor Presidente da República:

1Finalmente, pode respirar de alívio, porque ganhou a aposta: deixar o PS no poder antes de abandonar Belém e afundar o PSD.

N/D
23 Fev 2005

E mais: é o único Presidente que, em tais circunstâncias, o faz com maioria absoluta! Todavia, a isto chama-se fidelidade partidária, criticável num Presidente que se quer de todos os portugueses!
Estranho foi que o PSD embarcasse, de caras, no seu plano e deixasse que Santana assumisse a governação e partisse solitário para as eleições. Houve clara falta de coragem política e fidelidade partidária dos barões e baronetes social-democratas.

Aqui, a verdade que não é de agora, mas de sempre: quando o barco começa a meter água, é ver os ratos a saltar borda fora!

Só que, ao mesmo tempo, pode estar a escancarar, via Cavaco Silva, ao PSD e à direita, as portas que vai fechar de Belém. E, então, pode ser bem pior a emenda que o soneto, face às dificuldades governativas que se avizinham!

Chegou-se a pensar que o tiro lhe poderia sair pela culatra, se a derrota de Santana não acontecesse ou fosse menos expressiva. Não lhe saiu o tiro pela culatra, mas pode ter sido um tiro de pólvora seca, ao contar com as mãozinhas de Freitas do Amaral e Cavaco Silva! Ambos à disputa da cadeira de Belém!

E, aqui, Santana tem razão em sentir-se, desde que subiu ao poder (mesmo sem a legitimidade popular), anavalhado pelas costas! Mas, a ambição de poder cega, por vezes os homens, e retira-lhes a capacidade de, na hora certa e no lugar certo, saberem tomar as melhores decisões.

Por isso, não me espanta termos chegado a estes resultados eleitorais e o senhor Presidente pode já lavar as mãos e concluir que tomou a decisão certa e mais ajustada à vontade do povo que, desiludido e severamente castigado (não sabemos se com inteira razão) pela governação, ansiava a mudança!

2. Falta, agora, saber, senhor Presidente, se tendo o senhor ganho a aposta, o povo com ela ganhou ou vai ganhar alguma coisa. Porque, pode bem acontecer que veja ir por água abaixo os sacrifícios que a governação PSD/CDS lhe impôs e dizia necessária para tirar o país do pântano em que Guterres o mergulhou!

E, então, a sua responsabilidade é acrescida, pois sabido é que a maioria absoluta do PS (que o próprio Mário Soares apoiou, contra a defesa que já fez da teoria de não ser prudente pôr todos os ovos no mesmo cesto – santa incoerência!) não é garantia segura de tirar o país da crise, o que passa mais por um governo de homens capazes, sérios, competentes e menos por ondas laranjas ou rosas!

Porque, vai sendo tempo de respeitar mais o povo. De não abusar tanto e, sistematicamente, da sua paciência e tolerância. É que ele tinha razões mais do que suficientes para virar costas à política e aos políticos e não o fez.

Todavia, a abstenção baixou, o que é para os políticos uma enérgica bofetada de luva branca.

E mais: se o governo de Guterres deixou o país de tanga e foi, depois, Durão Barroso com a dama de ferro (Manuela Ferreira Leite) que começou a tirá-lo do pântano, o povo mostra coragem ao escolher, de novo, o PS (de Guterres) para governar. E quem sabe, com que futuros custos!

Eu disse coragem, senhor Presidente, mas, se calhar, devia antes dizer ingenuidade, ignorância! Normalmente, uma pessoa quando está descontente com um seu vizinho, vai à procura de outro vizinho, mas, quantas vezes, pior do que o primeiro!

Todavia, não é justo que os políticos continuem a usar e a abusar, a martirizar o povo! Mormente, quando este mesmo povo Ihes dá nas urnas o poder e a legitimidade para o governar a seu bel-prazer!

E sem respeito pelos seus mais elementares direitos!

Assim, senhor Presidente, contra a crispação, o miserabilismo e a lamúria com que tem doirado os seus discursos e que fazem deste pobre povo (desprezado, humilhado e ofendido por sucessivos governos) um permanente sofredor, é tempo de pôr em prática todos os seus poderes semi-presidenciais.

Porque, se só tem usado os que servem para dar posse e demitir governos, fazer discursos e viagens ao estrangeiro, dar medalhas e cortar fitas, valha-nos Deus, que isso qualquer cidadão anónimo sabe fazer.

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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