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No reino da mentira e do mal-dizer…

Saibamos, pois, olhar em frente, elevando-nos acima dos apetites, do ódio, da brutalidade e mesmo do antinatural!… Queremos humanismo, justiça e não brutidade ou mentira…

N/D
22 Fev 2005

Não, não sou um correspondente agradável, maneirista ou seráfico.

Por vezes, sei que sou incómodo, mormente em tempo de eleições, confrangido até com a mentalidade do País que somos, não por culpa do povo, que até trabalha… mas dos políticos e mentores que o têm educado e pervertido, alheios aos seus dramas e da Europa, mas correndo os mesmos passos de odisseia e tragédia.

Desde Janeiro, na Alemanha, todos os solteiros, a partir dos 25 anos, e casais que não têm filhos, terão de descontar, mensalmente, para a sua assistência de reforma 0,25% do seu salário ilíquido.

Atinge, em muitos casos, mais de 100 euros mensais. Porquê? É que os que não têm filhos irão usufruir no futuro da reforma dos outros que trabalham. Eles não têm quem contribua para eles. O sistema está em colapso.

É uma forma de combater tantos lares sem filhos, tantos casais – mais de metade divorciados – milhões de abortos anuais… e promover uma mentalidade mais natalista, num país onde a maior parte das mulheres recusam até a maternidade e metem medo aos maridos…

Desta forma, pretende-se indirectamente mais casamentos estáveis, menos egoísmo e mais sentido de família coesa e procriadora, frente a uma concepção egoísta ou hedonista, de homossexualidade, embora a lutar pelas adopções,- com direitos, mas sem deveres – muito dificultada, contra o aborto e eutanásia e contra a bigamia, ou curtos circuitos em surdina, sobretudo de mulheres, nas férias.

Estes, porém, têm sido tema de discussão muito forte: uns a reivindicar paternidade que não é sua, outros a dispensá-la, quando não coincide com a biológica, fruto de infidelidade ou bigamia concomitante.

Realmente um problema grave de sociedades ricas, amorais, onde se tem feito pouco caso quer da Moral oficial, para fugir ou evitar impostos, quer das orientações da Igreja pelas práticas abortistas.

Às vezes, até penso que se pretende promover a natalidade para que os grandes e os políticos tenham amanhã escravos a trabalhar só para lhes pagar as suas reformas, pois a outros são cada vez mais reduzidas.

Pela forma como falam e pelas normas morais que apregoam, nada exemplares, parece mesmo assim… Prevê-se no futuro um teste de sangue em muitos casos de famílias constituídas, e ainda um teste DNA a registar na paternidade futura…

Alguns partidos parecem viver das hipóteses, que as pessoas não podem realizar, em vez de normas morais sérias e da nossa tradição ocidental.

Será que nós, com os ventos que nos vêm da raia, especialmente de Espanha, já despertámos e nos prevenimos com os socialismos que apregoam? Sempre recebemos os ventos mais tarde e fomos, por vezes, fortes em imitar em segundas águas.

Mas será esta a nossa tradição e a que nos vai fazer mais felizes, depois de tantas experiências dolorosas?!

É de lamentar que sejamos sempre atrasados e imitemos os outros, apenas no negativo. Quem conhece a nossa História, sabe muito bem que o problema foi sempre a falta de políticos à altura. Não é com importação de ideologias a esmo que se resolvem os nossos problemas.

Seria melhor olhar para as cicatrizes que deixámos em todo o lado e termos uma visão realista do País que somos, dos filhos que exportámos ou deixámos fugir, por falta de outra clarividência política e económica, como até dos que deixámos trucidar.

Por outro lado, quem nos dominou sempre foi uma certa oligarquia e aristocracia lisboeta, de mentalidade pseudo-europeia, que educou até nas escolas e universidades, mas sempre nos hipotecou, fazendo o ethos cultural que temos, mas não o país que somos….

O povo, sobretudo no interior, precisa de melhores condições e tem direito a elas.

Precisa de homens com sentimentos e não só de inteligência, que parecem antinaturais, homens não amados, que só respiram ódio, de coração de máquinas. Só quem não é amado, odeia. E este tornou-se o slogan de certas feições políticas pelas ruas.

Precisamos de políticos que promovam o trabalho e não de sugar impostos, embora perdulários e generosos, como reis de farturas… distribuindo o que não temos, nem produzimos. De justiça que funcione e não procure os esconderijos, onde vegetam as toupeiras e se alçapam os oportunistas…

Em horas difíceis da Segunda Guerra Mundial gostaria de citar este texto, que me parece muito actual de São Lucas, mas interpretado por outros: «O reino dos céus está no próprio homem».

Não num só homem, não num grupo de homens, mas em todos os homens! Em vós!

Vós, o povo, possuís o poder de criar até máquinas. O poder de criar a felicidade… de criar essa vida esplêndida… de fazer desta vida uma radiosa aventura. Portanto, em nome da democracia, utilizemos esse poder… unamo-nos todos!

Combatamos por um mundo novo, um mundo decente que dê a todos os homens a possibilidade de trabalhar, que ofereça à juventude um futuro e aos velhos, um abrigo.

Com a promessa destas coisas, alguns ambiciosos subiram ao Poder. Mas eles mentiram! Não cumpriram as suas promessas, e nunca as cumprirão! Os ditadores libertaram-se, mas domesticaram o povo…

Combatamos por um mundo equilibrado… um mundo de ciência, onde o progresso promova a felicidade de todos! (Charlie Chaplin, 1940).

Saibamos, pois, olhar em frente, elevando-nos acima dos apetites, do ódio, da brutalidade e mesmo do antinatural!… Queremos humanismo, justiça e não brutidade ou mentira…




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