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A moda de ter cão

Anda por aí muita gente que julga só ter direitos. E deveres? Nem vê-los e muito menos exercê-los. Isso é para os outros!

N/D
22 Fev 2005

Por exemplo, o direito de ter um cão (ou dois, ou três). Por moda ou snobismo e não por amor aos animais. E nisso, nós portugueses, somos sempre os maiores, os primeiros!
Só que, esquece-se essa gentinha de que a tal direito corresponde, obviamente, um conjunto de deveres: para com os vizinhos e os próprios animais. E, neste particular, a bagunça anda de tal maneira instalada que já nem se sabe onde começam os direitos e acabam os deveres e vice-versa.

Ora, vai daí, em certas zonas da nossa cidade (de Braga), onde os cães abundam, as candeias andam às avessas: não se respeitam os seus direitos e, muito menos, os direitos de boa e salutar vizinhança!

Os cães ladram que se fartam, sujam as ruas quanto querem, vadiam até dizer basta. E tudo à revelia da sanidade, tranquilidade, qualidade de vida e bem-estar públicos.
É neste particular que se insere a Rua Dr. Elísio de Moura (Enguardas), transformada numa autêntica rua dos cães!

Seja nos apartamentos, as varandas ou na rua a espécie canina invade, insidiosamente, esta zona residencial. E, assim, a trampa abunda pelos passeios, o desassossego instala-se e, pasme-se, até uma varanda exibe um canzarrão, que, de vez em quando, quer de noite, quer de dia, impõe tamanha vozearia que é caso para dizer: com cães assim, não há claque de futebol que vingue!

Ora, é preciso que os donos de cães saibam que qualquer animal tem direitos, o primeiro dos quais é o direito ao bem-estar.

Cães fechados em apartamentos, sem saírem à rua, acabam por sofrer de stresse e clausura, como qualquer mortal. Igualmente? tem direito a uma alimentação saudável e à fruição de espaços amplos e verdes!

Depois, têm os donos o dever de os educar para a vida em apartamento. E em termos de sanidade física e psíquica. Se não forem educados, tais animais ladram, uivam, correm pelos soalhos o que é um verdadeiro tormento para os moradores dos prédios.

E já para não falarmos da assistência veterinária e higiénica que lhes é devida.
Pois é. Ter cão não custa. Custa mas é tratar bem dele e sem colidir com os direitos dos vizinhos, mormente, o da tranquilidade, privacidade, qualidade de vida e bem-estar. Só que isto exige muita formação cívica, muita estatura cultural!

E o que, por aí, vai é o exercício de muitos direitos e poucos ou nenhuns deveres. O mesmo é dizer que esta nossa democracia está de pés para a cova, vítima do aviltamento com que estes cidadãos a tratam – cidadãos que nos trinta anos que ela já dura não aprenderam nada ou aprenderam tudo ao contrário.

E a fazerem jus à sua idiossincrasia de verdadeiros broeiros, laparotos e morcões!

Ter cão é fácil. O difícil é saber tê-lo!




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