Fotografia:
A educação “com autoridade”

Estamos perante uma Pedagogia realista, universal, do senso comum e do bom senso

N/D
22 Fev 2005

As Pedagogias da Espontaneidade centram-se na tese – “a educação como desenvolvimento de moto próprio” – no pressuposto filosófico de que a criança é boa por natureza. Logo, a acção do educador é desnecessária, supérflua e dispensável.

O que interessa é “deixá-la fazer o que quiser” com naturalidade, sem ajuda de ninguém; que cresça livremente sem qualquer espécie de constrangimentos ou orientações exógenas.

A única causa da educação é o próprio aluno.

Nos antípodas desta corrente situam-se as Pedagogias Coercivas que se alicerçam na antítese – “a educação como um constrangimento da cultura sobre a natureza” – uma vez que a criança é má por essência, ou, pelo menos, insuficiente, não podendo, por si só, atingir a maturidade cultural.

A acção do educador é absolutamente necessária, indispensável, prioritária e de uma importância crucial. O educador é a única causa da educação, ou, nas versões menos rígidas desta teoria, a causa principal.

Perante estas posturas antagónicas ou extremas e num posicionamento intermédio, aportam as Concepções Pedagógicas da síntese, apologizando que “a educação não tem por objectivo apenas libertar, nem só reprimir”; utilizando uma fórmula positiva, defende-se que há que permitir certas atitudes e procedimentos, mas, simultaneamente, deverão aconselhar-se e impor-se outros.

Por outras palavras: em parte, a educação, ora faz-se por si só, ora não, sendo necessária a acção do educador.

Pode-se deixar livremente o educando, mas nem sempre, nem em tudo; em determinadas situações haverá que impedi-lo, empuxá-lo na direcção do que lhe é conveniente, adequado e correcto e que ele não consegue ver, nem procurar.

Não se deve desconfiar nem confiar por completo na natureza humana: a criança não é totalmente boa, nem totalmente má; tem um e outro modo de ser, pelo que há que respeitar certas tendências naturais, mas opor-se a outras, conforme são ou não adequadas ao correcto crescimento e desenvolvimento da sua personalidade.

Devem desenvolver-se as primeiras e corrigir-se as segundas; em resumo: há que equilibrar, harmonizar e sublinhar as tendências inferiores.

Estes pedagogos, que acreditam na necessidade e indispensabilidade da educação (muito mais que os partidários de tese, mas não tanto como os apologistas da antítese), situam-se no meio termo segundo a fórmula aristotélica do mesótes (in medio virtus est).

Estamos perante uma Pedagogia realista, universal, do senso comum e do bom senso.
É a chamada Pedagogia Perene. São inúmeros os seus seguidores (pedagogos clássicos, franceses, alemães, espanhóis e outros) que baseiam as suas linhas fortes na observação da natureza humana e no conhecimento do que realmente é o comportamento das pessoas; são fundamentos antropológico-sociológicos.

Asseveram, como exprime Pestalozzi, que “a condição prévia da educação não reside unicamente na competência dos educadores; está, igualmente, na disposição da criança, em cuja natureza encontramos o que, mais clamorosamente que qualquer outra coisa, pode proclamar a finalidade imensamente sábia que preside à criação do homem”.

Além disso, afirmam que “as crianças não são, naturalmente, boas, nem más. Nascem apenas com alguns instintos e reflexos; posteriormente, o ambiente produz os hábitos que podem ser sãos ou doentios”.




Notícias relacionadas


Scroll Up