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Nótulas soltas da minha agenda

Joaquim Chissano foi doutorado “honoris causa”… Deixou um recado aos portugueses. Eu deixo-lhe outro: que todos os ditadores e políticos africanos indemnizem já os povos que explorarame exploram

N/D
21 Fev 2005

1. À hora que escrevo estas Nótulas ainda decorre a campanha eleitoral. Como não sou bruxo…, isso significa que os meus leitores de hoje, dia 21, e eu próprio já sabemos no que deu a referida campanha. Agora, mãos à obra! Que os que ganharam cumpram e melhorem os seus projectos de governação. Há algumas, grandes preocupações que devem ser imediatamente “agarradas”.

Dou o exemplo do desemprego – famílias sem pão e sem poderem cumprir os seus compromissos; ou o da Educação – famílias e jovens deveriam ser mais reivindicativos da qualidade do que lhes é proposto; poderia também dar o exemplo do referendo à Constituição da Europa – que Europa a construir?

2. Assisti aos debates televisivos que pude. Li os jornais com atenção. A campanha eleitoral distraiu-nos dos problemas seríssimos da Educação, da Agricultura, do Ambiente, do Inverno demográfico…

3. Esta campanha foi pródiga em boatos. Não concordo que se manche a reputação das pessoas, sejam elas quem forem, pensem o que pensarem ou pertençam ao partido que pertencerem. Às vezes encontramos “peritos” em “meias verdades”, em insinuações, no “veja lá, diz-se que…”. Embrulhados em “capas” diáfanas de meias-verdades ou em puras mentiras, mancham a honra de uma pessoa. E a honra é algo de sagrado.

Não gosto, nem sei lidar com estes “canos de esgoto”, os boatos!

4. Vi, recentemente, na RTP1, o filme “A fuga dos inocentes”. Impressionante! Uma situação real de fuga de crianças judias e de um seu professor, durante a última guerra. O espírito de doação deste ressalta.

De facto, o nazismo foi um episódio horroroso da história da humanidade. Não foi o único. É preciso, também, não esquecer os milhões de vítimas assassinadas nos “gulags” soviéticos; os milhões assassinados por Pol Pot, no Cambodja; os milhões de chineses assassinados por Mao Tse Tung…

O século XX ficará na história da humanidade como um século de terríveis crueldades. Estas quase apagam o seu magnífico e extraordinário lado positivo!

5. Morreu a Irmã Lúcia. Virou-se um capítulo do fenómeno de Fátima. Dou comigo a pensar como aquela Mulher soube afastar-se, apagar-se, e dar lugar ao que era (e é) importante. Como o papel de um livro cheio de sabedoria que sem ele não conheceríamos o Saber, mas ele não é o saber. Transporta-o e suporta-o. Sem ele, o papel, de nada serviria. A humildade é assim discreta, mas fundamental.

6. De cada vez que um polícia morre às mãos de biltre qualquer, penso em como ao longo dos anos as forças policiais têm perdido a autoridade. Têm sido sistematicamente desautorizadas. Por isso, sinto-me solidário com os polícias. Como me sinto totalmente solidário com os professores, que também ainda sou, pelos mesmos motivos: a desautorização a que foram submetidos.

7. Joaquim Chissano foi doutorado “honoris causa”. É lá com a Universidade do Minho! Deixou um recado aos portugueses. Eu deixo-lhe outro: que todos os ditadores e políticos africanos indemnizem já os povos que exploraram e exploram dando-lhe a guerra, a fome e a peste (sida, dengue, malária…) e que devolvam as imensas fortunas que têm na Europa e por esse mundo fora. Já!




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