Fotografia:
Neo-sebastianismo… pós-eleitoral

Quando hoje se fala em liberdade põem-se de parte religiões e impõem-se laicismos, renegam-se certas formas de governo e privilegiam-se outras, como as da democracia.

N/D
21 Fev 2005

Ora o laicismo cego é uma forma de religião, de fanatismo que provoca a diminuição dos mitos, pois retiraram-lhe espiritualidade» – dizia Manoel de Oliveira, numa entrevista recente. Este cineasta quase centenário falava sobre a exibição do seu último filme: “O quinto império – ontem como hoje”. Nesta película, Manoel de Oliveira aborda as raízes do “quinto império” em Portugal tanto no Padre António Vieira como em José Régio e ainda em Fernando Pessoa.
Nesta interessante entrevista, Manoel de Oliveira vai-nos descobrindo as suas reflexões mais ou menos filosóficas e lições de vida sobre a crise – há quem prefira chamar-lhe “confusão”! – que estamos a sentir em Portugal com as implicações sócio-políticas mais actualizadas e dentro de um espírito saudosista tão característico da nossa identidade/ fatalidade/mentalidade lusitana.

De facto, numa leitura mais ou menos caldeada de sabedoria (tantos são os episódios já vistos) e de improviso (tal é a necessidade de não ficar sem opinião) e no rescaldo das eleições de ontem como que “filosofamos”, dizendo: “Agora é que vai ser”! “Os outros falharam, este não pode falhar”! “O passado (mesmo que recente) é para esquecer”! Frases como estas andam mais ou menos na boca e/ou no pensamento de muitos portugueses, onde pulula a perspectiva de um (novo ou subentendido) D. Sebastião – político, económico, social, no campo da justiça, e até na área da Igreja – por entre esse nevoeiro misterioso da nossa desconfiança nacional.

Com que facilidade somos capazes de ora endeusar ora de crucificar, tanto os correligionários quanto os competidores. Com que destreza sabemos adaptar-nos a quem vence, sobretudo na hora da vitória. Com que habilidade tentamos encontrar culpados das nossas derrotas, descortinando “bons desempenhos” morais.

– Até onde irá – como dizia um tal general romano sobre os lusitanos – a nossa (in)capacidade de nos governarmos ou de nos deixarmos governar?

– Ainda haverá espírito nacionalista – isto é, de conhecermos a Nação que fomos, que somos e que podemos ser – enquadrados no contexto europeu e no âmbito mundial?

– Continuaremos a privilegiar a atitude de mero desenrascanço de última hora ou vamos tentar aprender a programar, a desenvolver e a avaliar, como fazem outros povos, países e nações… mais desenvolvidos culturalmente?

Diz o povo na sua sabedoria de vida: “mais vale a quem Deus ajuda do que quem cedo madruga”. Importa ajudar Deus a ajudar-nos, fazendo o melhor possível a nossa parte!…




Notícias relacionadas


Scroll Up