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Chover no molhado (56)

Caro leitor, o maior bem natural que possuímos é a vida existencial, cuja conservação jamais se pode pôr em discussão. Afirmo um bem natural, pois, acima deste, irradia frondosamente o Bem Supremo, Deus, fonte e bebedouro de toda a nossa vida existencial.

N/D
21 Fev 2005

Afirmo também que a sua conservação jamais se põe em discussão, pois a permanência e continuidade evolutiva, neste mundo, se autojustificam. E a vida existencial, por sua vez, justifica-se na vida do ser concreto, real e profundo.
Vamos aceitar, como ponto de partida, que as emoções, os sentimentos, os afectos, as paixões, ainda que positivos, mas se impostos do exterior, não têm o condão de justificar, ajustadamente, a continuidade e a permanência da vida existencial.

O mesmo aplico à Razão, com todas as forças de que dispõe, à intuição, ao social, à moral, à cultura, aos costumes e tradições e também às próprias opiniões.

Vamos também aceitar que é o próprio Espírito do Bem, tomado individual ou colectivamente, que impõe do exterior uma justificação à permanência e continuidade da vida existencial.

Ao afirmar – quando positivo – quero com esta expressão esclarecer que a presença de todas as diferentes formas de pensamento, no todo, têm de obedecer, sincronicamente, à abertura, sintonização e cooperação.

Pois bem, se as justificações vierem do exterior, ainda que positivas, não passam de secundárias e acidentais. A verdadeira, essencial e permanente justificação vem da raiz da própria vida. É a lei e a própria liberdade da vida que se auto impõem a tudo e a todos. A conservação da vida é um direito humano por excelência.

Não vamos, portanto, discutir, pois é inútil a conservação ou não da vida existencial, mas discutir, isso sim, o evolutivo melhoramento, para a sociedade, das condições da vida existencial e a acessibilidade de cada um ao seu progresso. Deslocá-la daqui é perverter e cair em mentirosas soluções dos problemas. É pôr a conservação da vida existencial a leilão e talvez sujeitá-la à difamação e à morte.

Refiro-me à provocação do aborto e à sua legalização, cuja abertura democrática à sua possível efectivação, é o recurso ao referendo, tido como espelho desembaciado da vontade do povo.

A vida existencial do prematuro indivíduo vai, agora, a leilão. E aqui quem ganha é o maior número. E a este número o que imediatamente interessa são as promessas. E aos leiloeiros o que mais lhes interessa são os números. E então embeleza-se a propaganda com afagos de promessas. Cada um lá sabe as suas intenções.

E quanto às promessas? Aqui é que está o engodo. Facilmente se acredita naquilo que queremos, já diziam os romanos. Em geral, as promessas ou não se concretizam ou envolvem chantagem. Que se promete afinal?

O que se promete são soluções para os medos, preocupações, ansiedades, stress, mas se… Promete-se mais disponibilidade e liberdade, mas se… Prometem-se remédios para evitar o consumo da droga, de álcool, mas se… Promete-se o atenuamento da violência, dos despedimentos no trabalho, do roubo, da delinquência, da marginalidade, da precariedade nos empregos, mas se… Promete-se, afinal, segurança, muita segurança, mas se… E se o “se” envolve a violência da morte? Em que ficamos?
Estes leiloeiros assemelham-se aos vendilhões do Templo.

Todos estes males, é certo, passam pela colectividade, mas a sua origem não está no facto de aceitarmos a conservação da vida existencial e respectivos compromissos.

Está, creio eu, no conflito entre o QI académico e o QI emocional da pessoa consigo mesma ou, colectivamente, das pessoas entre si. Daqui surgem muitas das crises que despoletam todos estes males.

É mais fácil e cómodo atacar a vida, pondo-lhe um termo do que arrumar o seu próprio interior e descobrir os meios adequados a facilitar à sociedade a melhoria das suas condições de vida, em ordem ao progresso, libertando-a assim dos travões dos males acima expostos.

É uma tristeza!




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