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Pela Imprensa Estrangeira

Dois dos temas que realçamos da leitura dos jornais mais recentes são os seguintes:- Assassinado o ex-Primeiro Ministro do Líbano. A oposição acusa a Síria do atentado contra Rafik Hariri no centro de Beirute (“EL PAÍS”, 25 Fevereiro).

N/D
20 Fev 2005

Os Estados Unidos já retiraram a sua Embaixadora na Síria por causa do assassinato de Rafik Hariri; Libaneses enfurecidos por causa do assassinato atacam trabalhadores sírios numa onda de ódio ao regime de Damasco a quem culpam da morte do ex-Primeiro Ministro (“FARO DE VIGO”, 16 Fevereiro).

Tendo em consideração a situação geográfica e política do Líbano, sobretudo a sua proximidade de povos em conflito, nomeadamente, Israel e Palestina, este atentado não deixou de ter repercussões imediatas. Embora as condenações internacionais que se seguiram ao assassinato de Rafik Hariri – segunda, 14 Fevereiro – as de Paris e Washington foram particularmente firmes, a França reclamando um inquérito internacional para identificar os responsáveis do atentado e os Estados Unidos pedindo à ONU para os punir (“LE MONDE”, 16 Fevereiro).

O Protocolo de Quioto entrou em vigor no dia 16 de Fevereiro.

O jornal “LA CROIX”, 15 Fevereiro, diz: Depois de anos de negociações, o protocolo sobre mudança climática torna-se realidade amanhã na ausência do principal poluidor (a nível mundial), os Estados Unidos.

Mas tínhamos prometido para hoje algumas considerações e referências ao tsunami, quer dizer, sobre o homem que pode prever o surgimento dos tsunamis e, caso eles aconteçam, remediar as más consequências que acarretam.

A revista “SCIENCE ET VIE”, de Janeiro 2005, subordinada ao tema geral “2005, o ano de todas as esperanças”, logo no início do desenvolvimento do primeiro dos 34 temas aí tratados refere: este ano é o ano em que os físicos esperam, finalmente, observar as ondas gravitacionais. De que se trata? De ondas que nascem de uma violenta explosão no cosmos e rebentam no espaço-tempo deformando-o como uma vaga à superfície de um lago.

Entre as maravilhosas descobertas que se espera serem feitas durante o ano em curso contam-se aprender a protecção da alta de nível dos mares, perceber os segredos dos grandes sismos a fim de os antecipar, a primeira exploração do calor do subsolo, ultrapassar a teoria da relatividade de Einstein, etc, etc.

Isto é fantástico! E não é fantástico ler o que Jean-Pierre Lebreton, responsável científico da missão da Huygens disse a respeito de Titan: um mundo extraordinário situado a 1200 milhões de quilómetros da Terra, onde ocorrem fenómenos geográficos muito semelhantes aos do nosso planeta só que com matéria de natureza exótica e em condições ambienteis extremas (a temperatura desce até 170 graus centígrados) – jornal “ABC”, 22 Janeiro.

O que “anteveria” Júlio Verne se tivesse conhecimento do que os cientistas já sabem? Júlio Verne nasceu em 1828. A revista “LIRE” do corrente mês de Fevereiro dedica-lhe um número especial. Inspirado em Júlio Verne, o Geógrafo Roland Paskoff, perito no estudo da evolução das costas marítimas, intitulou o seu último livro sobre os efeitos do reaquecimento: “Até onde vai subir o mar?”

A revista “SCIENCE ET VIE” deste mês dedica idêntica atenção ao tsunami: A nossa galáxia é um canibal? – tsunami, o que verdadeiramente se passou.
A revista “SCIENCES ET AVENIR” também deste mês dedica especial atenção ao tsunami e sistemas de alerta. Eis o título geral: “Tsunami – prever o próximo”. Aí se analisam possíveis sistemas de alerta e se chama a atenção para os riscos que corre o Mediterrâneo.

Dos estudos a que estas rápidas alusões se reportam, creio poder concluir-se que o mundo, sob o ponto de vista científico, nos próximos anos, décadas, séculos e milénios vai ser maravilhoso.

Mas vejamos a análise que os jornais nos transmitiram e nos transmitem na sequência do tsunami: será que o homem é um perverso ou que o homem é, de facto, admirável?

O “EL PAÍS”, 8 Fevereiro, fazendo-se eco de um jornal islâmico de Marrocos – “EL TAJDID” – dizia que o maremoto que atingiu as costas asiáticas era um castigo divino devido ao turismo sexual. Chamava a atenção para o facto de alguns turistas sexuais se estarem agora a instalar, sobretudo em Marraquexe, Agadir, El Jedida e outras cidades.

O maremoto não foi castigo de Deus. Mas é necessário que a perversidade do homem – de Caim – que se apoderou de muitos seres humanos (sim, apesar de tudo, seres humanos) não arrasem para sempre as crianças impedindo-as de irem sendo seres em plena realização, fazendo delas “meios para atingir nefastos fins” em vez de as considerarem “fins em si mesmos”.

Infelizmente é verdade o que se diz no “FARO DE VIGO”, 12 Fevereiro: No continente africano há um tsunami permanente que não é notícia. Morrem centenas de pessoas por dia de malária. Não é notícia o que se passa na Serra Leoa ou os 40 conflitos que são desconhecidos.

No jornal “LA CROIX”, 17 Dezembro, podia ler-se mais de 300 000 meninos-soldado lutam em três dezenas de países, sendo infeliz exemplo a Libéria, a República Democrática do Congo e a Colômbia. O “EL MUNDO”, 12 Fevereiro, dizia: IRAQUE.

O sequestro de meninos converte-se numa indústria florescente e cruel. Nesse artigo e exemplificando os horrores que ocorrem em várias regiões do Iraque, transcrevia-se o grito de um menino dirigido ao seu pai: Salva-me, querem arrancar-me os olhos.
Mas vamos, para terminar este artigo, reter o que é de mais saudável a propósito do tsunami. Vamos recordar a onda de solidariedade que continua. A este propósito diz José Jesus Giraldo Orfina no “FARO DE VIGO”, 12 Fevereiro: O maremoto da Ásia originou uma corrente de ajuda humanitária desconhecida.

O Presidente da Cruz Vermelha de França, a respeito da acção que esta instituição está a levar a cabo nas Maldivas e no Sri Lanka, designadamente a reabilitação dos portos e barcos de pesca, dizia há dias: O primeiro gesto de humanidade consiste em mostrar às pessoas que nós não nos esquecemos delas (“LA CROIX”, 10 Fevereiro).

O mesmo jornal, 13 Fevereiro, dizia: Depois do Tsunami os turistas são bem-vindos. Os turistas ocidentais desertaram das costas da Ásia do Sul, tragicamente tocados pelo maremoto de 26 de Dezembro. Para que possam encontrar do que viver, as populações desejam o seu regresso.

Vamos continuar a vida de construção em todas as dimensões em que tal nos seja possível pois que, como diz Joseph Stiglitz no “EL PAÍS”, 2 Fevereiro: A natureza, como aprendemos com o tsunami, tem o seu próprio calendário. Se não aprendemos a respeitá-la, todos perdemos o barco.




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