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O Tratado Constitucional da União Europeia

Durante este ano o Tratado Constitucional da União Europeia vai ter de ser ratificado pelos 25 Estados membros. Espanha propõe-se fazer um referendo a 20 de Fevereiro e será, provavelmente o primeiro país membro a fazê-lo.

N/D
19 Fev 2005

A futura Constituição não faz referência às raízes cristãs da Europa, muito embora João Paulo II e vários governos tenham já insistido na incoerência de uma tal atitude.
Em 19 de Junho depois de ter ponderado alguns aspectos da Magna Carta continental adoptada na Cimeira de Bruxelas e assinada em Roma a 29 de Outubro, um comunicado do Vaticano diz: “A Santa Sé não pode deixar de exprimir a sua tristeza pela oposição de alguns governos ao reconhecimento explícito das raízes cristãs da Europa. Trata-se de uma omissão da evidência histórica e da identidade cristã das populações europeias”. Esta evidência e identidade baseiam-se nos três principais protagonistas do processo moderno de integração: Robert Schuman, Konrad Adenauer e De Gasperi.

Michel Barnier, ministro dos Negócios Estrangeiros francês reconheceu, no passado mês de Maio: “Robert Schuman não era o primeiro que sonhava com a Europa. Outros, não muitos, já o tinham feito antes. Mas Schuman foi o primeiro a encontrar a fórmula adequada para construir a Europa e a paz. A sua inspiração a 9 de Maio de 1950 é e continuará a ser o que se chama o «património genético» da Europa moderna.

É um chamamento que continua actual e útil, porque une deliberadamente a construção da Europa e a causa da paz. A Europa é, antes de mais e sobretudo a paz. Essa é a promessa feita por Schuman, Adenauer, De Gasperi e poucos mais. Foi a promessa que fizeram e que se cumpriu”. A estes três europeístas devemos juntar o francês Jean Monnet e o belga Paul-Henri Spaak.

Nestas linhas queria referir-me de um modo especial a Robert Schuman. Nasceu em Luxemburgo a 29 de Junho de 1886, como cidadão alemão, porque o seu pai era de Lorena, território alemão desde 1871. Em Bonn, Munich, Berlim e Estrasburgo estudou Direito.

Em 1912 abriu um escritório de advogado em Metz, tendo-se dedicado também a actividades políticas e caritativas. Regressado de Lorena a França em 1919 foi eleito deputado nacional pela União Republicana de Lorena. Em 1932 e 1936 foi candidato do Partido Democrata Popular (PDP).

O seu trabalho como parlamentar católico foi decisivo para manter em vigor a Concordata da Santa Sé com Alsácia e Lorena. Em Março de 1940 é nomeado Subsecretário de Estado para os Refugiados. De regresso a Metz foi preso pelos nazis e submetido a prisão domiciliária. Conseguiu escapar e permaneceu escondido dois anos em mosteiros até que acabou a guerra mundial.

Em 1945 foi eleito deputado pelo Movimento Republicano Popular, depois foi feito ministro das Finanças e a seguir, em Novembro de 1947, Chefe do Governo. Com este último cargo acumulou as funções de Ministro dos Assuntos Externos até 1953 e como tal propagou as suas ideias europeístas. O êxito chegou-lhe quando promulgou a Declaração de 9 de Maio de 1950 e a consequente criação da CECA (Comunidade Económica do Carvão e do Aço).

Durante 11 meses a partir de Fevereiro de 1955 foi ministro da Justiça. Desde Março de 1958 foi Presidente da Assembleia Parlamentar Europeia que lhe chamou “Pai da Europa”.

Possuía uma esclarecida fé católica que muito influenciou a sua vida pessoal e a orientação política que o levou a ser o motor da paz e do progresso sócio-económico da Europa unida. A sua fé era uma fé vivida na prática: assistia à Missa e rezava o Terço todos os dias e a sua piedade pessoal, desde a infância, foi enriquecida nos anos de perseguição política. Possuía uma sólida formação teológica sendo muito versado na doutrina de S. Tomas de Aquino. Morreu a 4 de Novembro de 1963 e a 9 de Maio de 1990 foi iniciado o processo de beatificação cuja fase diocesana foi encerrada em Metz no dia 29 de Maio de 2004.

A propósito da não referência das raízes cristãs na Constituição Europeia, João Paulo II disse: “Uma sociedade que esquece o seu passado está sujeita ao risco de não ser capaz de enfrentar o seu presente e, pior ainda, de chegar a ser vítima do seu futuro”.




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