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Competitividade e produtividade

Muito se tem falado de competitividade e produtividade da economia portuguesa, das empresas e dos trabalhadores. Economistas e gestores falam de uma classe trabalhadora pouco produtiva, abstencionista e de baixa qualificação.

N/D
19 Fev 2005

Então pergunta-se: Porque será que o Joaquim, português de Braga, é muito produtivo quando trabalha no Luxemburgo ou Canadá e é pouco produtivo quando trabalha em Portugal?
Ora, nesses países o Joaquim trabalha em empresas onde há um estímulo à autonomia e motivação dos indivíduos e grupos de trabalho. Motivação fundamentada no trabalho em equipa, na qualidade e nos ganhos de produtividade.

Nesses países, os trabalhadores estão inseridos em organizações de Produção flexível, são chamados a apresentar propostas de melhoria para o seu desempenho e a terem uma crescente participação na gestão dos processos produtivos. Ganham qualificações no seu trabalho quotidiano.

Ao invés, em Portugal continua a imperar o trabalho monótono e repetitivo que provoca enorme desmotivação e fadiga no trabalhador, não melhorando as suas qualificações. Temos empresas onde prevalecem sistemas de produção baseados na rigidez operativa, baixas qualificações, hierarquias pesadas e demarcadas também pouco qualificadas. Os trabalhadores não são convidados a participar na melhoria dos métodos e processos de trabalho que eles próprios executam.

É, pois, necessária a implementação dos Sistemas Flexíveis de Produção aliados a uma maior humanização no trabalho. Sistemas em que os trabalhadores operam em Grupos semi-autónomos de produção, sem demarcação de tarefas, em que cada elemento é treinado para fazer o trabalho de mais alguém, numa acção de entreajuda e rotação de tarefas tendente a rentabilizar o trabalho do grupo: «Ninguém fala do meu trabalho, falamos do nosso trabalho».

As empresas em Portugal têm um grave problema: os seus empresários investem pouco em pessoas e organizações. É pena, porque o capital humano é o bem mais precioso de qualquer empresa. Os empresários canadianos ou luxemburgueses pensam assim, os portugueses não. Esta é a questão central da (baixa) produtividade em Portugal.




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