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A tanga e as fraldas

Por mais voltas que dê ao pensamento e por mais chá que beba para adocicar os neurónios, um jornalista não consegue evitar que a pantanosa situação a que o país chegou lhe suba às meninges, quando se propõe escrever para o jornal.

N/D
18 Fev 2005

Não o deseja, como cidadão, nem o estima, como profissional; mas, sente ser imperioso dever enfrentar a situação.
O país vai de mal a pior e não há arco-íris que indique melhoria.

À depressão anímica e ao colapso da economia, junta-se agora uma tremenda confusão política, onde todos peroram retóricas e maldizem adversários, sem apontar algo de proveitoso.

Dar as mãos pela nação, encontrar causas que entusiasmem e indiquem soluções para o país, não entusiasma os partidos políticos.

A grande preocupação é descobrir podres e enxovalhar adversários, com ironias e achas para a sua incineração.

Poder-se-á perguntar como foi que Portugal chegou a esta situação.

A resposta é fácil.

Tudo isto se deve à crise e à inversão de valores, em que a sociedade foi mergulhada e, olhando-se para o que se está a passar em Espanha, facilmente se ajuíza o que espera os portugueses, se determinados ventos continuarem a soprar.

Uniões de facto, abortos e divórcios em catadupa, depuração dos valores tradicionais e abulia da religiosidade popular, aguardam no pórtico a entrada.

Entretanto, de trapalhada em trapalhada, a política portuguesa parece um aterro a recolher o lixo e a escumalha que se vai produzindo.

A economia bateu no fundo; a escola não ensina; a saúde adoeceu; o trabalho emigrou; a juventude não vê futuro; a velhice enche os lares e, na política, os que aparecem não servem e os que servem não aparecem.

Partimos da tanga, já vamos no preço das fraldas e, neste mundo de trapos, não espanta que, qualquer dia, o «tuga» lusitano ande de rabo ao léu.

Assim, sem economia própria e com a estranja a dominar mercados, bens haveres nacionais, ficamos reduzidos ao orgulho da bandeira e à nobreza das quinas.

O povo português tem de reagir.

Não, com o tal «golpe militar» que Bruxelas proíbe, nem com o «golpe palaciano» que Belém gerou, mas com brio e patriotismo, com respeito e auto-estima, com honra e trabalho.

Faça-se renascer a alma portuguesa, com padeiras de Aljubarrota e sapateiros de Trancoso; com Nunos Álvares Pereiras e Marias da Fonte; e, se preciso for, com defenestrações de todos os Miguéis de Vasconcelos que atraiçoam o destino do país.
Apareça a alma portuguesa, com a força do seu querer, a vontade da sua afirmação, o fervor da sua mística e… tudo será diferente.

Os comandos das actuais chefias políticas já demonstraram, por «A» mais «B» e, por «X» mais «Z», que não têm condições de governação.

E o abecedário português também já não tem «letras» que abanem os défices das suas empobrecidas actuações!.

Por estas e outras razões, sempre achei que a provocação de eleições antecipadas foi precipitada e extemporânea.

A única coisa que pode salvar isto, será reconhecer que o povo vai votar, não no nome de um homem, mas num partido – (aliás, é verdade!…) – e, quando as coisas estagnarem ou seguirem por ínvios caminhos, pedir ao partido vencedor uma pessoa mais credenciada para chefiar a governação.

A Pátria tem mais filhos!…

O que não podemos é andar, continuadamente, de eleição em eleição.




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