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Votar não é só um direito, é um dever moral

O Apóstolo São Pedro, na sua Primeira Carta, exorta os cristãos a procederem como homens livres. Mas o que será isto de «homens livres»? Penso que São Pedro se referirá à liberdade interior, à capacidade de ler os sinais dos tempos e de questionar os «poderosos» da sociedade acerca da legitimidade da sua acção governativa.

N/D
17 Fev 2005

«Procedei como homens livres, não como aqueles que fazem da liberdade capa da sua malícia, mas como servos de Deus» (1 Pe 2, 16)
O Apóstolo São Pedro, na sua Primeira Carta, exorta os cristãos a procederem como homens livres. Mas o que será isto de «homens livres»?

Penso que São Pedro se referirá à liberdade interior, à capacidade de ler os sinais dos tempos e de questionar os «poderosos» da sociedade acerca da legitimidade da sua acção governativa.

Ou seja, não se pode fazer da liberdade «capa da sua malícia», servindo-se do livre arbítrio e de uma falsa liberdade para justificar más acções e corrupção.

O católico é um cidadão de pleno direito. Está no mundo apesar da razão da sua existência ser a implementação do Reino de Deus, através da sua acção e testemunho.

Deve participar activamente na promoção do bem comum, defendendo os direitos da pessoa humana e lutando contra as desigualdades sociais, através da justa partilha dos bens materiais, os quais existem para todo o ser humano, pois dados pelo Criador – não são um privilégio, mas um direito e um bem necessário.

O Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo Papa João Paulo II, afirma no seu número 2239: «É dever dos cidadãos colaborar com os poderes civis para o bem da sociedade, num espírito de verdade, de justiça, de solidariedade e de liberdade. O amor e o serviço da pátria derivam do dever de gratidão e da ordem da caridade. A submissão às autoridades legítimas e o serviço do bem comum exigem dos cidadãos que cumpram o seu papel na vida da comunidade política».

Continua o Catecismo, no n.º 2240: «A submissão à autoridade e corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país».

Cito São Pedro e o Catecismo da Igreja Católica, nesta derradeira semana de campanha eleitoral, para alertar a consciência dos católicos acerca da sua responsabilidade da construção de uma sociedade mais justa e conforme aos valores do Reino de Cristo.

Não podemos ficar em casa, no dia das eleições. Votar não é só um direito, é um dever moral, pois é uma das formas supremas de construção de uma sociedade justa, livre, solidária e assente na liberdade.

É imperioso votar, pois é pelo voto que se colabora numa justa reclamação de quanto lhes parece prejudicial à dignidade das pessoas e ao bem da comunidade (n.º 2238).




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