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Atenção aos idosos

Não é humana uma sociedade que não cuida com desvelo dos seus idosos

N/D
17 Fev 2005

A mensagem do Santo Padre para esta Quaresma é um convite a que aprofundemos a consciência do papel que os idosos estão chamados a desempenhar na sociedade e na Igreja, e disponhamos assim o coração para o acolhimento amoroso que lhes deve ser sempre reservado.

Primeiro, que os idosos aceitem a sua situação e se convençam de que o idoso não é um coitadinho nem um inútil.

A velhice – e não há que ter medo da palavra – é uma fase da vida por que muitas pessoas passam. Uma fase com as suas características próprias. Uma fase distinta da meninice, embora se diga que os idosos voltam a ser crianças.

Distinta da adolescência e da juventude. Distinta também da idade madura. É fundamental que o idoso se aceite como é: uma pessoa que tem certas limitações, mas que nem por isso deixa de ser muito útil e muito prestável.

Ser idoso não é estar arrumado, mas exige que quem o é procure viver de harmonia com a sua condição. Simplesmente isso. Escreve João Paulo II na referida mensagem:

«Se o envelhecimento, com os seus inevitáveis condicionamentos, for aceite com serenidade à luz da fé, pode tornar-se ocasião preciosa para compreender melhor o mistério da Cruz, que dá sentido pleno à existência humana».

Porque, muitas vezes, afastado da vida activa, o idoso tem tempo mais disponível para fazer coisas que, noutros tempos, o trabalho e as responsabilidades familiares lhe não permitiram fazer. Tem mais tempo para conviver.

Tem mais tempo para dedicar a determinadas leituras. Tem mais tempo para participar na Eucaristia e para rezar.

Cito de novo João Paulo II: «O maior tempo disponível nesta fase da existência oferece às pessoas idosas a oportunidade de se confrontarem com interrogações fundamentais, que talvez tenham sido descuidadas antes devido a interesses urgentes ou, contudo, considerados prioritários.

A consciência da proximidade da meta final leva o idoso a concentrar-se sobre o que é essencial, dando importância àquilo que o passar dos anos não destrói».

A comunidade, por sua vez, deve aceitar o idoso como ele é e acompanhar com uma compreensão amorosa todos os que envelhecem. Deve saber aproveitar a sabedoria e a experiência dos anciãos.

Deve ajudá-los a viverem plenamente as suas capacidades, pondo-as ao serviço de toda a comunidade. «É preciso, escreve João Paulo II, fazer crescer na opinião pública a consciência de que os anciãos constituem, em qualquer caso, um recurso que deve ser valorizado».

É dever da comunidade empenhar-se em dar a todos uma velhice sossegada e feliz. Se possível, na família, na convivência com os filhos e os netos, no ambiente em que sempre viveram.

Se não, através de diversas ajudas, como a dos centros de dia, do apoio domiciliário, dos lares de terceira idade. De harmonia com as possibilidades de cada família, mas sempre tendo em conta o respeito que a pessoa do idoso merece.

Não é humana uma sociedade que não cuida com desvelo dos seus idosos. Que se não preocupa com o isolamento e a solidão em que porventura vivam. Que olha para eles não como uma riqueza mas como um fardo. Não é humana, não é justa, não é grata.




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