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Em Memória do Padre Pereira Lima

Foi a sepultar na véspera de completar 66 anos. O Padre António Pereira Lima nasceu em 11 de Fevereiro de 1939 e foi ordenado sacerdote em 14 de Julho de 1963.

N/D
16 Fev 2005

Era natural de Landim, Famalicão, e para lá foram os seus restos mortais, mas passou toda a sua vida de sacerdote em Vieira do Minho, trabalhando em várias paróquias, sobretudo na de Tabuaças, a que pertence o lugar de Cerdeirinhas, onde viria a dinamizar a construção de uma nova igreja, na qual aliás decorreram várias celebrações e entre elas a exequial, presidida pelo bispo auxiliar D. Antonino, já que o arcebispo Dom Jorge estava a presidir ao funeral do P.e Moreira da Silva que dedi- cou toda a sua vida ao Seminário Menor.
Já estivemos em outros funerais de sacerdotes que morreram em idade jovem e ao serviço de uma comunidade paroquial, por isso nos pudemos dar melhor conta de quanto era estimado o Padre Lima pelos seus paroquianos e pelos muitos amigos que soube granjear com a sua actividade sacerdotal, quer nas várias paróquias em que colaborou mais directamente, quer nas comunidades educativas em que desenvolveu a sua actividade lectiva, seja como professor de Educação Moral e Religiosa, quer depois como professor de Português e Latim, bem como nas tarefas de orientação de estágio.

A multidão que encheu o vasto templo das Cerdeirinhas foi o testemunho eloquente da resposta agradecida que tantos e tantos quiseram ter para com o homem bom, o sacerdote apostólico e exemplar, o docente sábio, cativante e motivador que conseguia impor a exigência no trabalho e a honestidade nas atitudes e comportamentos como corolário lógico da sua própria actuação e vivência humana.

Sabíamos da doença que o apoquentava e que tinha as suas manifestações mais visíveis no apagamento da voz. Sempre procurou reagir com energia e sem esmorecer.

Por fim, já não foi possível ir mais longe. O Calvário apareceu forte, mas a esperança da Ressurreição foi mais forte ainda.

Mais de 4 dezenas de sacerdotes concelebraram a Eucaristia, o sacramento de Jesus ressuscitado, o memorial da Paixão redentora de Jesus, da sua admirável ressurreição e ascensão aos céus.

É na eucaristia que a vida encontra a sua plenitude de sentido, e é ela que dá plenitude à vida cristã quando a morte impõe o termo de desenvolvimento na dimensão terrena da existência.

O Ofício de Vésperas ajudou-nos a entrar mais profundamente na celebração, conduzidos por essa linguagem maternal que é a dos salmos. «O Senhor te defende de todo o mal. O Senhor Vela pela tua vida». «No Senhor está a misericórdia e a abundante redenção».

E com S. Paulo nós proclamamos: «Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim o Filho dá vida aos seus escolhidos».

Dom Antonino, na homilia, realçou o que a Palavra desse dia de Quinta-Feira de Cinzas nos propunha: saber escolher entre os caminhos que conduzem à vida e os que conduzem à morte.

O sacerdote é o mensageiro por excelência que continuamente anuncia aos fiéis os caminhos que conduzem à vida. O Padre Pereira Lima fê-lo sempre e nos mais variados meios em que interveio, quer como sacerdote, quer como cidadão. Tanto no magistério como nas atitudes da sua vida.

A terminar a eucaristia, em momento de acção de graças, 3 testemunhos enalteceram a acção sacerdotal do Padre Lima. Chamou-nos especialmente a atenção o testemunho da doutora Isabel Varanda, leiga teóloga da Universidade Católica em Braga e que ao Padre Lima disse dever o essencial das escolhas fundamentais da sua vida, inclusive a de seguir o caminho de aprofundamento da fé que a levou a enveredar pelos estudos da teologia.

Foi um testemunho lúcido e bem estruturado, vivido e sentido, percorrendo as etapas de uma vida e recordando a todos como é que a acção sacerdotal do Padre Lima penetrou profundamente nas pessoas.

Eu que, felizmente, pude contactar bastante de perto com o Padre Lima, senti-me reflectido nas palavras que lhe ouvi e que levaram no final a uma ovação emocionada de toda a assembleia.

O poema que aparecia na parte final do opúsculo com os cânticos do Ofício de Vésperas e da Eucaristia, bem como as notas biográficas e a «Última Encomendação e Despedida» ajuda a compreender melhor o ambiente de fé em que a celebração decorreu.

«Tudo nas tuas mãos»

Maria, tu és o silêncio no qual a Palavra de Deus ainda se pode perceber.
Maria, tu és a mulher apenas sujeita a Deus.
Maria, tu és o símbolo de uma humanidade que caminha nas trevas/ com a esperança posta em Deus.
Tu acompanhaste o teu Filho à sepultura/ e com Ele confiaste à terra todas as preocupações da humanidade.
Tudo foi sepultado para que tudo pudesse ressurgir renovado, purificado, imortal.
Tu sepultaste o teu Filho com uma certeza: Ressuscitará!
Ele já venceu a morte com a sua morte. E aos que dormiam no sepulcro já gritou: «Vitória!».

Mãe, colocamos a nossa vida e a nossa morte nas tuas mãos.

Mantém-te na presença do eterno e recorda-lhe que a paixão do teu Filho continua agora em nós, que antecipamos a nossa morte na morte do nosso irmão Padre Lima, e que nos abrimos à esperança de todo o nascimento: nova aurora, profecia de ressurreição».




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