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Vamos votar

Os que não encontram em quem votar, lembram-nos aqueles que querem ter uma moral para si, feita à sua medida, à desculpa das suas fraquezas. Este pano, na verdade, já não vale o remendo.

N/D
14 Fev 2005

Olhar o céu estrelado, firmar os olhos na imensidão do firmamento, ver a Lua a campear no espaço infinito, dá para ser poeta ou, pelo menos, para se ser sonhador.
Apetece ficar calado, ensimesmado em pensamentos próprios e desligar um pouco ou mesmo um todo completo destas coisas das eleições e do fartote da campanha. Que campanha tão futrica! Os verdadeiros problemas do país ficaram em segundo plano.

Mas, também por isso mesmo, não podemos fugir a este sortilégio que é tomar parte activa na acção democrática. As eleições do próximo Domingo são para tomarmos parte nelas, como eleitores críticos e conscientes. O voto não é um dever sagrado porque a política tem pouco de santa, mas é um dever cívico por excelência porque tem tudo a ver com o dia-a-dia dos cidadãos.

Temos um leque de vários partidos políticos que vão da esquerda radical à direita conservadora. Podemos escolher sem constrangimentos, uns ou outros, no silêncio de nós mesmos e tendo como único director a nossa razão. Nós vamos votar em políticas e não apenas em políticos. Encontrar nos programas uma identidade muito próxima do nosso pensamento, é um exercício inteligente que a todos obriga e uma manifestação de maturação democrática que a todos aconselhamos.

O voto, diz-se, é a arma do povo; muito embora esta imagem tenha ficado romba com o uso, não deixa, no entanto, de ser verdade a mensagem que nele contém. O voto não é a única participação democrática do povo mas é uma das mais significativas e importantes. Ninguém deve ficar em casa. Todos devemos ir escolher aquelas políticas que pensamos, em juízo subjectivo, corresponder aos nossos ideais de sociedade.

Não se trata apenas de escolher uma nova gestão para o País, trata-se fundamentalmente de escolher uma sociedade. O dia de ir a votos não pode, assim, ser encarado como um acto de tanto faz. Para que esta liberdade de escolha seja hoje possível, muitos outros portugueses, antes de nós, sofreram perseguições, exílios e até morreram pela causa da liberdade. É longa a lista deste martirológio.

Não podemos agora, por mero comodismo, ou desinteresse, ou quiçá algum desencanto sobrante da atitude de alguns políticos, deixar-nos na posição fácil de não participar. Se não é uma andorinha que faz a Primavera também não são uns tantos maus políticos que acabam com a democracia. O roble é grande, às vezes as tempestades abanam-no fortemente, mas não o derrubam. Outros ventos o quereriam!

Seria uma ofensa e até um ultraje sem honra nem glória a esses mártires da liberdade se ficássemos na desistência. Desistir é mais fácil que persistir. Mas dos fracos não reza a história. O que às vezes mais dói é vermos, depois das eleições, a crítica fácil dos que se estiveram nas tintas para o acto eleitoral. Dizem que nenhuns lhes ser-viam. Como são falaciosas as desculpas quando as razões não são verdadeiras!

Os que não encontram em quem votar, lembram-nos aqueles que querem ter uma moral para si, feita à sua medida, à desculpa das suas fraquezas. Este pano, na verdade, já não vale o remendo. É como a testemunha que afirma sem ver. É o triunfo da desfaçatez.. Vamos a votos no próximo Domingo e pode ser até que dê tempo para olhar para o céu, o achar encantador, e levar a gosto o brilho das estrelas.




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