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Em quem votar (ou não) nestas eleições

A31 de Janeiro passado – data significativa na história pré-republicana em Portugal – cerca de quarenta e cinco primeiros subscritores católicos (de reputada influência social) escreveram aquilo a que se designou de ‘carta aberta aos eleitores – eleições parlamentares 2005’, intitulada: «Uma questão de consciência».

N/D
14 Fev 2005

Este jornal já publicou a missiva na íntegra no passado dia nove, quarta-feira de cinzas. No entanto, sentindo outros sinais de reflexão, entretanto, disseminados parece-nos oportuno voltar àquele texto.
Embora o texto supra-citado tenha aparecido em época pré-eleitoral pretende ajudar – esperemos que ninguém entenda na linguagem política de condicionar! – a fazer uma análise sensata do próximo acto eleitoral. Das vertentes enunciadas podemos colher duas mais significativas: o tema da vida e as questões de moralidade no âmbito afectivo/familiar.

* Diz-se no documento/carta aberta, citando a Congregação para a Doutrina da Fé, «quando a acção política se confronta com princípios morais que não admitem abdicações, excepções ou compromissos de qualquer espécie, é então que o empenho dos católicos se torna mais evidente e cheio de responsabilidade. Perante exigências éticas fundamentais e irrenunciáveis, os crentes têm, efectivamente, de saber que está em jogo a essência da ordem moral, que diz respeito ao bem integral da pessoa.

É o caso das leis civis em matéria de aborto e da eutanásia, que devem tutelar o direito primário à vida, desde a sua concepção até ao seu termo natural. Do mesmo modo, há que afirmar o dever de respeitar e proteger os direitos do embrião humano».
+ Diante disto perguntamos:

– Quem defende outro referendo ao tema do aborto poderá merecer o voto – mesmo que condicionado, mas que pode valer como concordância – de qualquer cristão? Será compatível insinuar – nessa tal liberdade de voto dos eleitos! – de vez de dizer de que lado se está de verdade? As jogadas vão ser repetidas até vencer os adversários pelo cansaço? Esta estratégia costuma resultar nos maus perdedores ou com fracos jogadores!

– Para quando a discussão do tema da eutanásia? Não estará esta a ser praticada já em tantas instituições – até ligadas à Igreja Católica – mesmo que de forma complacente, protegida e paliativa?

– Mais do que continuar a olhar para o preservativo como meio de ‘sexo seguro’ não será importante educar para a vida, ajudando adolescentes e jovens, casais e famílias a descobrir a existência/vida como dom, serviço e entrega?

* Diz-se no documento/carta aberta: «analogamente, devem ser salvaguardadas a tutela e promoção da família, fundada no matrimónio monogamico entre pessoas de sexo diferente, e protegida na sua unidade e estabilidade, perante as leis modernas em matéria de divórcio. Não se pode, de maneira nenhuma, pôr juridicamente no mesmo plano, com a família, outras formas de convivência, nem estas podem receber um reconhecimento legal como família».

+ Diante disto perguntamos:

– Depois de uma certa discriminação injustificada e persecutória para o relacionamento (circunstancial, ocasional ou estável) de pessoas do mesmo sexo (vulgo ‘homossexuais’ – gays ou lésbicas!) como que nos interrogamos sobre a amplitude (ou ampliação) desta promoção acintosa, protegida ou aureolada de comportamento ‘familiar’, social ou moral?

– Qual a força (real) do lóbi contra a família tradicional dentro e fora dos partidos do quadro parlamentar? Certos boatos – atingindo candidatos a deputados e outras funções com base em afinidades pouco tradicionais de família – têm razão de ser ou servirão apenas para distrair dos problemas reais do país?

– Afinal, a vida privada dos políticos não deve ser (mesmo) questionada na hora das decisões políticas dos outros cidadãos eleitores?

* Diz-se no documento/carta aberta: «nas presentes circunstâncias eleitorais, o mínimo que se exige a uma consciência livremente formada de acordo com a fé católica é que não poderá desinteressar-se da campanha eleitoral nem abster-se de votar. A abstenção é uma grave omissão aos deveres de uma consciência católica».

Votar em consciência sim, mas com uma consciência bem esclarecida, melhor formada e consequentemente capaz de usar o seu direito de voto para ser objector de consciência, tanto ao nível cívico como nas funções (políticas, sociais, eclesiásticas ou morais) que exerce ou venha a exercer!

Assim saibamos escolher quem melhor (ou o menos mal, na teoria do menor denominador comum, possível) defende estes valores da vida e da família… cristãs.




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