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Telenovelismo

Como os demais povos do mundo, a população portuguesa também apresenta virtudes e defeitos.

N/D
12 Fev 2005

Assim, ao lado dos «brandos costumes», o povo português denota uma determinada propensão para, das coisas simples, fazer sucessivas telenovelas, com vistosos cenários e cenas divertidas, que tanto podem dar para o trágico, como para a comédia.

Como estamos vivendo um clima de agitação eleitoral, surgiram recentemente três telenovelas de cariz político.

A primeira, mais antiga, procedeu-se à volta do comentarista, Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito dum reparo feito pelo governo em exercício, aos seus domingueiros comentários.

De uma coisa banal e pouco atractiva, gerou-se uma enrodilhada telenovela, com divertidos cenários. A censura e rolha foram contratadas para «primas donas».

Depois, veio o «mergulho do ministro» que, roubou o lugar de destaque à difusão da língua, por terras que foram nossas. Por mim, se quiser voltar lá, para fundar três ou quatro escolas portuguesas, pode voltar e repetir o «mergulho».

Recentemente, surgiu mais outra telenovela, tendo por figura principal o professor Freitas do Amaral, que ao arrepio de tudo quanto fizera e dissera anteriormente, pediu vitória e maioria absoluta para o seu antigo adversário, o Partido Socialista.

Como de costume, caiu o Carmo e a Trindade.

Televisões e jornais, articulistas e comentadores, foi um ver se te avias, para tomar posições divergentes, que dessem cor ao cenário e vivacidade ao diálogo.

A direita procurou denegrir e confundir a afirmação do professor. A esquerda aceitou e aplaudiu a mudança e a evolução do político.

Não faltaram entrevistas, comentários e escritos, ora a favor, ora contra, em jornais e televisões.

Por mim, entendo que o referido professor tem todo o direito de votar e fazer propaganda, por quem quiser. Aceito, outrossim, que possa evoluir e mudar a ideia política, em qualquer momento, porque não é por aí que o gato vai às filhós.

O que já não é admissível é que Freitas do Amaral tenha, primeiramente, abjurado convictamente o aborto, as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo e a adopção por estes de crianças e, passado algum tempo, venha pedir maioria absoluta, para – ao que tudo indica – aprovar e aplaudir precisamente o contrário.

No meu entender, isto não é evoluir do pensamento político, como disse certa comunicação social, mas, sim, quebra de carácter e de personalidade.

É que são situações diametralmente opostas, em princípios que devem ser imutáveis.
De duas, uma. Ou se defende a vida ou se programa a morte. As duas coisas são incompatíveis e não rimam.

Não é possível condenar hoje o «tirar a vida a inocentes indefesos» e, amanhã, aplaudir o mesmo acto homicida; nem tão pouco verberar, hoje, as uniões de facto e, amanhã, apoiá-las.

O carácter e a personalidade duma pessoa podem ser atraiçoados, mas não mudam, quando se quer e dá jeito.




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