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O conforto dos cuidados paliativos

O doente terminal quer ser ajudado a manter a sua dignidade e deve merecer o respeito e a estima daqueles que o assistem

N/D
12 Fev 2005

Todos os hospitais se confrontam diariamente com a agonia e a morte de pacientes.
A Dr.ª Isabelle Martin, directora da equipa da unidade de cuidados intensivos do hospital Delafontaine (Seine-Saint-Denis), depois da morte de seu pai, há vinte anos, resolveu dedicar-se à especialidade dos cuidados intensivos, isto é, procurar que os doentes terminais vivam os últimos dias com dignidade e conforto, o que passa obviamente pela supressão do sofrimento, tanto quanto possível.

O pai, com 78 anos, sofreu uma trombose cerebral e mesmo não havendo hipótese de o salvar, foi entubado e submetido a tratamentos inúteis. Ela refere a esse propósito: “O hospital tem que ser um lugar de cuidados e não um estabelecimento técnico”. O objectivo deve pois ser a procura do bem-estar físico e psíquico dos enfermos terminais.

“O pessoal auxiliar e as enfermeiras, que estão na primeira linha de contacto com os enfermos, testemunham o quanto é importante para eles estar apoiados por uma unidade de cuidados paliativos. Pois eles levam uma carga pesada: são aqueles a quem os doentes conhecem melhor, os que velam pelo seu bem-estar, os ajudam a comer, cuidam da sua higiene, convertem-se em seus confidentes, escutam as suas dúvidas e receios”.

Os doentes terminais assim cuidados, sentindo-se confortáveis e confortados, não querem morrer. “Muitos confiam às enfermeiras que estão fartos e querem que tudo termine de uma vez, mas depois têm medo e voltam a pedir ajuda”.

Propor a legalização da eutanásia, nestes casos de desespero está fora de causa. Pode fazer-se outra coisa melhor – conseguir que os doentes morram o menos mal possível, isto é, rodeados de cuidados paliativos.

Admitir a eutanásia, leva a desvios, pois é muitas vezes a própria família, ávida de herança ou cansada de trabalhos e incómodos que a deseja. Se o doente se sentir confortável, quer viver e não morrer.

Em muitos lugares onde a eutanásia e o suicídio assistido são aceites, muitas pessoas optariam pela eliminação ou diminuição da dor e do mal-estar e não queriam que as desligassem das máquinas que as mantém vivas. O doente terminal quer ser ajudado a manter a sua dignidade e deve merecer o respeito e a estima daqueles que o assistem.

O professor e investigador canadiano Harvey Chochinov, afirma que através dos cuidados paliativos, destinados a aliviar a dor a doentes terminais, os profissionais de saúde estão a contribuir para que o doente morra com dignidade.

O referido professor afirma que “a eutanásia é uma questão moral”. Para ele, a responsabilidade dos profissionais de saúde é tentar aliviar a dor. E toca um ponto interessante – defende que o dinheiro gasto com os cuidados paliativos, é bem gasto, pois assim muita mais gente quereria morrer em casa e isso representa uma economia global considerável, pois que é mais caro morrer num hospital.

Temos também de olhar com apreço para aqueles que todos os dias lidam com estas situações. Não trabalham nos cuidados paliativos por gosto, mas porque gostam da sua profissão e recebem a recompensa de ajudar a quem não lhes pode retribuir.
Celebrou-se ontem, a festa litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, o Dia Mundial do Doente. Para nos associarmos a esse evento vamos debruçar-nos sobre os cuidados paliativos.

O doente enquanto ainda tem alguma lucidez gosta de ser valorizado, gosta de ser tratado com respeito e estima e a calma que os profissionais de saúde lhes incutem é para estes a única recompensa.

Sabem que vale a pena, pois a morte toca a todos nós, mais tarde ou mais cedo e todos desejamos manter até ao fim uma certa qualidade de vida.

Quem recebe cuidados paliativos de qualidade só pensa na eutanásia ou no suicídio assistido se estes lhes são sugeridos, pois muitos doentes bem assistidos podiam recorrer ao suicídio e não o fazem, pois que a falta de vontade de viver só coincide com os momentos de dor não minorada. Aí sim, os doentes não querem viver, caso contrário o que não querem é morrer.

Estas linhas podem servir para lembrar que ontem, dia 11, se celebrou o Dia Mundial do Doente.




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