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O flagelo da Sida

Celebra-se amanhã o Dia Mundial do Doente, cujos principais actos ocorrem nos Camarões.

N/D
10 Fev 2005

Com a escolha deste local, escreve João Paulo II na sua mensagem, pretende-se dar uma oportunidade para manifestar a solidariedade concreta às populações do Continente Africano, atormentadas por graves carências no campo da saúde.
A África, diz, citando a exortação pós-sinodal Ecclesia in Africa, é um Continente onde inumeráveis seres humanos – homens e mulheres, crianças e jovens – jazem, de algum modo, prostrados na margem da estrada, doentes, feridos, indefesos, marginalizados e abandonados», à espera de um bom Samaritano.

De entre as numerosas doenças que devastam aquele Continente, João Paulo II destaca o flagelo da Sida, que semeia sofrimento e morte.

Recorde-se, porém, que o flagelo da Sida cria problemas não apenas em África mas no mundo inteiro. Até no nosso meio. Números divulgados em 1 de Dezembro passado referiam que em 30 de Junho de 2004 se tinham registado no Distrito de Braga 491 casos de doentes infectados com o vírus HIV.

A maioria era do sexo masculino e tinha idades, também na maioria, entre os 20 e os 40 anos. Daquelas 491 pessoas, 330 pertenciam ao grupo dos toxicodependentes. Só em Portugal tinham sido notificados 23.347 casos.

Desde o aparecimento desta epidemia já morreram no mundo, em consequência dela, mais de 22 milhões de pessoas. Elementos divulgados no mesmo dia 1 de Dezembro dizem que actualmente 42 milhões de pessoas vivem com o HIV. Só no ano 2.004 surgiram cinco milhões de novos casos, dos quais 650.000 crianças, e 3,1 milhões de pessoas morreram devido à doença.

No mundo, quase metade das pessoas infectadas é do sexo feminino e tem idades entre os 15 e os 49 anos. E entre os países que contribuem para o crescimento da epidemia encontram-se Portugal e o Brasil.

A Sida é uma realidade com a qual a Igreja se vem preocupando. Basta dizer serem católicos 26,7% dos centros que existem no mundo para o cuidado dos pacientes contaminados com o HIV. Todavia, o combate a este flagelo deve mobilizar todas as pessoas.

Na problemática da Sida há que considerar o antes e o depois; a prevenção da doença e a assistência aos doentes e às suas famílias no plano médico-assistencial, social, espiritual.

Há que ter a coragem de enfrentar, com realismo, a verdadeira prevenção da doença, e é isso o que não tem acontecido. Lamentavelmente. Parece haver medo de falar em castidade.

Durante uma reunião internacional que terminou em Coimbra no dia 3 deste mês de Fevereiro, o representante da International Young Democrat Union, uma organização de juventude com sede no Canadá, recomendou a abstinência de relações sexuais como meio de combater a propagação da Sida, mas caíram-lhe em cima.

O que querem, não sei se apenas por motivos ideológicos ou se também por razões de ordem comercial (a prática da castidade não dá para facturar), é o uso do preservativo.

Mas o que é preciso é recomendar a prática da castidade, o que significa que os solteiros devem abster-se de relações sexuais e os casados devem respeitar a fidelidade conjugal.

Escreve João Paulo II na sua mensagem para este Dia Mundial do Doente: Para, de maneira responsável, combater a Sida, é preciso incrementar a sua prevenção mediante a educação para o respeito do valor sagrado da vida e da formação na prática correcta da sexualidade.

Com efeito, se são muitas as infecções por contágio através do sangue, especialmente durante a gestação, infecções que devem ser combatidas por todos os meios, muito mais numerosas são as que se contraem por via sexual, e que podem ser evitadas sobretudo mediante um comportamento responsável e a observância da virtude da castidade.

O Instituto da Juventude e os que têm a seu cargo a educação sexual dos jovens poderão, se quiserem ter a coragem de dizer coisas que considero muito necessárias e muito oportunas mas que podem não agradar, desempenhar um papel importantíssimo no que diz respeito à prevenção da Sida.

Estarão dispostos a fazer isso?




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