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Igreja e sociedade em complementariedade

Apesar de tudo, um dos pontos fortes na sociedade portuguesa é ainda a família

N/D
10 Fev 2005

A nível civil e político, dizemos nós que a família é a célula da sociedade. A nível eclesial, consideramos a família como “Igreja doméstica”.
Dois aspectos fundamentais e interdependentes que é justo e necessário ter em conta e considerar, aquando do lançamento de qualquer projecto e, ainda, para o desenvolvimento equilibrado e harmonioso do agregado familiar.

A constatar pela História, se verifica que quando um projecto político ou militar quer provocar a viragem duma sociedade e dar-lhe outros parâmetros distintos daqueles que nós defendemos no mundo ocidental e cristão, a sua primeira preocupação é atingir o âmago da sociedade, que é precisamente a família, a sua unidade e coesão.

A prova e a demonstração mais concreta e mais recente na História Ocidental está bem na ideologia e nas tácticas que o sistema comunista empregou no após Grande Guerra.

Apesar de tudo, um dos pontos fortes na sociedade portuguesa é ainda a família. Aliás, um dos aspectos pelos quais os portugueses no estrangeiro são considerados é precisamente pelo seu espírito de família. O seu sentido de solidariedade, partilha, inter-ajuda, alegria, comunhão, presença.

Há uma Nota Pastoral emitida pela Conferência Episcopal Portuguesa, em que faz referência que a felicidade da sociedade portuguesa está directamente relacionada com a felicidade de cada uma das nossas famílias.

Família que deve ser o lugar e o espaço da primeira evangelização e da iniciação aos sinais religiosos, à oração e às atitudes cristãs. A primeira responsável pelo crescimento espiritual dos seus membros, a partir da catequese paroquial e da educação moral e religiosa nas escolas.

A Igreja defende que a família é uma comunidade de amor responsável e fiel, de doação desinteressada e empenhamento generoso, de abertura aos outros e testemunho de vida apostólica.

O exemplo, “o clima”, ou o “ambiente” que constitui o meio ou o veículo poderoso da educação, deve ser alimentado pela Palavra de Deus escutada e vivida, pela participação na celebração dominical, recepção dos sacramentos, empenhamento no serviço dos outros, acolhimento dos pobres e aflitos, abertura às outras famílias, afirmação constante dos valores evangélicos e testemunho da fé e da esperança.

No entanto, para além da vida paroquial, que deve constituir um espaço de fé, esperança e caridade fraterna, a educação moral das crianças, adolescentes e jovens, faz-se também a partir dos seus lugares de estudo e crescimento intelectual.

A formação moral e religiosa, que os jovens recebem nos estabelecimentos de ensino, deve ter o contributo permanente da família e, de modo especial, da família cristã.

Os pais devem considerar os catequistas e professores, como cooperadores seus na educação dos filhos. Isto implica o seu acompanhamento activo e interessado e, ainda, o diálogo entre todas as partes intervenientes neste processo da educação.

Este acompanhamento implica não só a presença activa em reuniões e iniciativas dos filhos, mas também o crescimento religioso e moral dos pais, a partir do estudo, da reflexão e da valorização constante dos seus conhecimentos, actualizando-os ao mundo de hoje e à sua problemática em constante evolução.

Famílias felizes para uma sociedade feliz poderá constituir uma das apostas urgentes do nosso tempo e da nossa sociedade. E isto, porque, sabemo-lo bem, mesmo entre nós, as famílias estão, cada vez mais, eivadas de materialismo, assaltadas pelo egoísmo e auto suficiência e, ainda, minadas pelos contravalores que, mais e mais, parecem constituir as colunas que firmam o crescimento cultural e moral da nossa sociedade.

Catequese paroquial, educação moral e religiosa escolar e ainda um conjunto de iniciativas sócio-culturais promovidas pela sociedade civil devem ser aspectos complementares que, conjugados, despertem o desenvolvimento equilibrado e harmonioso da juventude de hoje. Devem ser estruturas complementares e não opostas ou rivais.

A desistência sistemática de muitas crianças, adolescentes e jovens quer da catequese, quer das aulas de Religião e Moral, quer ainda da prática religiosa, poderá e deverá ser uma ocasião de reflexão séria para as famílias cristãs.

Antes de levar os filhos a reflectir sobre as razões desta desistência, terá a família de fazer um exame de consciência e procurar as razões porque é que isto acontece.

De facto, os pais terão o direito de encontrar para os seus filhos, as condições normais, a nível da Igreja e da sociedade civil, para que possam ter a educação integral de que necessitam.

E esta poderá surgir, se os filhos estiverem integrados nas estruturas paroquiais, usufruam da organização das aulas de religião e moral nas escolas públicas e particulares, e haja uma sã e respeitosa colaboração entre os pais, famílias e diversas estancias da sociedade civil e eclesial.




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