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Ameaçados de morte

Uns oito milhões de iraquianos desafiaram, há quase quinze dias, a morte, para dizerem o que querem para o seu país. Foi, para todo o mundo, uma manifestação corajosa e que ninguém pode desvalorizar.

N/D
9 Fev 2005

Aliás, da seriedade da ameaça falam os mais de quarenta cadáveres que ficaram às portas de algumas secções de voto…
Sabendo-se da forma indiscriminada e cobarde como o terrorismo ataca, cada iraquiano que, no domingo eleitoral, saiu de casa deve ter admitido a eventualidade de não regressar; deve ter pensado se não iria esbarrar-se com um suicida, apostado em cumprir ameaças espalhadas aos quatro ventos e a que nenhuma força organizada é capaz de se opor com êxito a cem por cento.

Mas, mesmo pensando em tudo isso, os tais oito milhões escolheram não se render!…

Esta lição chega-nos escassos dias antes de nós, portugueses, nos confrontarmos também com o direito e o dever de votar. Quantos o farão? Não sei.

A confirmar-se o que por aí se ouve, a participação pode não ser das mais cívicas, sendo que a abstenção é uma ameaça a ter seriamente em conta.

E “pretextos” até nem faltam: pode chover e é incómodo arriscar um resfriado; pode dar sol e é cómodo dar um passeio; pode aparecer alguém lá por casa para um convívio interessante; ou pode mesmo verificar-se uma noite mal dormida e as horas serem boas para uma boa soneca; e até pode ser que alguém pense que, mais voto menos voto, daí não venha qualquer mal à Grécia, tanto mais que «eles são todos iguais»…

Talvez estes ou outros pretextos cheguem para muita gente. Mas se os eleitores iraquianos os lessem, com certeza teriam pena da saúde da nossa cidadania. É que nós não estamos ameaçados de morte…

A não ser pelos “bombistas” da descrença.




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