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817. Meu caro Leitor:

1É um dado adquirido de que o Estado está na falência. A dívida pública aumenta e não se vislumbra forma de a estancar. Estamos todos de tanga!

N/D
9 Fev 2005

A crise instalou-se, há muito tempo, como negra praga (de gafanhotos ou vacas magras) do Egipto! E os políticos atarefam-se, consomem-se em inventar soluções! Mas, qual delas a pior? A mais sádica?

Então, com a campanha eleitoral ao rubro, as propostas, as promessas, como moscas à roda do monturo, vão sendo tiradas da cartola! Umas vezes, por mãos de prestidigitadores encartados, outras de charlatães de feira!

De Portas a Louçã, meu Amigo, passando por Sócrates, Santana e Jerónimo, o bater da tecla é o mesmo: reduzir a despesa pública, emagrecer o Estado! E com a simplicidade e eficiência de quem anuncia um qualquer programa de dieta para matronas anafadas!

E o bombo da festa é sempre o mesmo! Porque se o objectivo é reduzir à despesa pública, só há um alvo na mira dos franco-atiradores: o funcionalismo público!
E, então, corta-se ao número de contratações, congela-se o aumento de salários, despede-se onde se pode despedir!

Simples! Elementar! Perverso!

2. E não vejo, caro Leitor, propostas sérias, ideias inovadoras nos programas eleitorais. Avançam-se números para reduzir o desemprego, mezinhas para salvar a saúde e pinceladas de betadine para a educação! E pouco mais!

Todavia, eu que não sou candidato a primeiro-ministro nem a deputado tenho algumas propostas na manga e, modéstia à parte, até bem boas! Queres ver?

Por exemplo, não ouço nenhum candidato a primeiro-ministro ou deputado, para baixar a despesa pública, falar na redução do número de deputados! (Entendo que o parlamento pode bem funcionar, apenas, com 50 deputados! Dos bons, claro!) E, aqui, reduzia-se imenso às despesas do Estado, mormente, em vencimentos, viagens, senhas de presença, ajudas de custo e… tanta reforma antecipada!

Ainda, o número de ministros, secretários, subsecretários, assessores, motoristas, etc., etc., etc., também pode ser reduzido. E o Governo, assim, até se torna mais operativo e a poupança louvável! Claro, para já nem falarmos nos famosos, escandalosos, onerosos e pré-conceituosos jobs for the boys!

Depois, as viagens, os aviões, os carrões, os equipamentos fabulosos, as comissões, os pareceres e estudos técnicos, etc., etc., etc., que o Governo tem ao seu dispor e de que, frequentemente, usa e abusa não podiam ser aligeirados ou congelados? E em tempo de crise, não ficava nada mal aos governantes ir para o emprego de transporte público ou mesmo de bicicleta (e até para abater as banhas!).

E mais! E mais! E mais!

Porque, meu Amigo, já não há pachorra para ver sempre os mesmos a pagar a crise: os funcionários públicos! Já noutros tempos assim era (quando tinham de usar manguitos e requisitar um lápis novo, exibindo o toco do velho!).

E, por isso, não sei o que estes políticos modernos andam a fazer se, afinal, de essencial e novo, eles nada ou pouco fazem! Valham-nos, ao menos, para desopilar o fígado, as gargalhadas que, face a tanta baboseira eleitoral, nos vão provocando!
Com um abraço e até de hoje a oito!




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