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Exemplo: Hospital de São Marcos

Muitas vezes pensa-se que um país só melhora com grandes reformas, estruturais, de preferência, coisas que confiram o direito a um ministro a fazer parte da toponímia de uma cidade ou ter retrato numa vistosa sala pública.

N/D
8 Fev 2005

Há também, no entanto, as pequenas coisas. Coisas que muitas vezes entopem os canais intrincados por onde temos que passar no nosso dia a dia. Nos últimos tempos tornei-me um cliente assíduo dos serviços de saúde.
Não foi decisão voluntária, mas a esclerose múltipla escolheu-me como parceiro e não se quer divorciar de mim. O único remédio é combatê-la com determinação, o que exige um acompanhamento médico constante e a necessidade de cumprir escrupulosamente o receituário médico.

Não é fácil, acreditem. Custa estar sujeito a burocracias desnecessárias que me empatam grandes momentos de espera e me provocam um cansaço, coisa tormentosa para o meu problema de saúde.

Todos os meses tenho que levantar na farmácia do Hospital de São Marcos injecções. Para as obter tenho que telefonar para o hospital a avisar que preciso das injecções; passados dois dias, deslocar-me ao hospital, onde tenho que aguardar numa fila para me darem um cartão para ir ao serviço respectivo; recebo aí a receita, volto à recepção, seguindo depois para a farmácia, que fica na garagem do edifício das urgências, sendo aqui que recebo, finalmente, as malfadadas injecções.

Não haverá maneira mais simples de receber esta medicação? Quando eu telefonasse, tudo isto não poderia ser encaminhado para a farmácia? Há mais de um ano que ando a propor esta solução, relembrando, ainda, que há doentes com dificuldade de locomoção e/ou de visão.

Estas coisas simples não fazem aumentar as filas de espera? Será preciso fazer grandes seminários com grandes oradores, preferencialmente estrangeiros, para arranjar soluções? Será esta a qualidade que se pretende atingir nos serviços, de que tanto se fala?

Também posso falar de certas injustiças. Um deficiente com 60% de incapacidade motora pode comprar qualquer viatura (por exemplo um Ferrari, Maserati, Maybach…) que está isento de IVA e não paga cerca de 6.500 euros de IA [Imposto Automóvel].

Por exemplo, se comprar um Maybach poupa no mínimo, só de IVA, 80.500 euros. E para comprar uma cadeira de rodas ou colocar um elevador na sua casa, os defi-cientes têm que pagar IVA e não existe qualquer subsídio ou isenção de taxas.

Pensem realmente nos assuntos que interessam aos portugueses e deixem-se de fait- -divers. No momento actual de crise os portugueses estão mais interessados na resolução dos seus problemas do que na clonagem ou no casamento dos homossexuais.

Senhores políticos, eu sei que ganham pouco mas os senhores também o sabiam quando aceitaram os vossos lugares. Deixem-se de lamúrias e de ser pessimistas e resolvam os problemas da crise em Portugal.




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