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Nótulas soltas da minha agenda

De facto, urge encontrar cristãos descomplexados, ousados e pró-activos. Apoiados, incentivados e acarinhados por quem tem a obrigação de o fazer

N/D
7 Fev 2005

Devo, antes de tudo, uma explicação: na passada segunda-feira não colaborei com as Nótulas. Uma gripe forte é a responsável. Sobretudo por que aquela virose me ataca sempre a cabeça (o meu ponto fraco!) com fortes dores! E como ainda penso com a cabeça…
1. A propósito duma referência, justa mas tardia, que fiz aqui sobre a figura ímpar de cidadão e cristão que foi, e continuará a ser, José Moreira, a Senhora D. Irene, sua mulher, escreveu-me uma simpática carta. Não mereço o agradecimento que me faz. A Justiça não se agradece! De qualquer modo, muito obrigado, Senhora D. Irene e use o pobre texto como muito bem entender!

2. A campanha eleitoral já soa por todo o lado: pobre, superficial, cheia de “faits divers” sem importância. Eu vou votar! Mas quero fazê-lo com Liberdade informada.

3. Ainda não percebi – às vezes sou lento! – por que razão nos debates televisivos são excluídos os partidos que não têm/tiveram representação parlamentar. Creio bem – e posso estar errado! – que, à partida, os partidos políticos devem, no período de campanha eleitoral, receber o mesmo tratamento.

Os cidadãos eleitores podem, e têm esse direito, querer conhecer outras propostas e outros rostos diferentes. Não está a ser servido “mais do mesmo e com os mesmos”?

4. A seca extrema que estamos a viver e que tantos danos está já a causar, vem revelar mais algumas fragilidades do nosso país. Não há prevenção destas calamidades, aliás cada vez mais previsíveis. Não há articulação entre investigadores do clima, agricultura, ecologia, entre outras áreas que se cruzam permanentemente. Cada um trata, às vezes mal, só do seu quintal!…

5. Um dia destes as maçãs que comemos lá em casa tinham uma etiqueta que nos mostrava que vinham da… China!

Maçãs, peúgas, casacos, quinquilharias, galos de Barcelos, tapetes de Arraiolos… E os preços? Não há concorrência possível! No meio disto tudo, ainda vai o Presidente da República à China tentar abrir o mercado chinês a Portugal.

Como se fosse possível ir vender o que quer que seja português numa economia que não reconhece Direitos Humanos elementares cívicos, sociais, culturais, etc.! Contudo, o grande capital, sem rosto, está a deslocalizar-se para aquelas paragens de escravidão!

6. Investiram-se milhões e milhões de euros na construção de novos estádios para o Euro2004. Fizeram-se algumas obras de outros. Porém «Estádios novos não chamam mais adeptos ao futebol» (cfr. Público de 21 de Janeiro de 2005). Num país com carências tão severas em áreas prioritárias como a saúde e a educação aqueles gastos são imorais e indecentes!

7. Indecente, também, é o facto de se transaccionarem jogadores por fortunas impensáveis, se pagarem àqueles ordenados fabulosos e não serem pagos os impostos a tempo! E, ainda por cima, andarem a brincar com a situação!

Deveria revoltar-nos, muito, este escândalo. Por isso, aplaudo, sem reservas, a decisão do Ministro Bagão Félix, por ter tido a coragem de pôr os faltosos a pagar, ele que é um ferrenho do futebol. Numa sociedade livre não deveria ser preciso tomar atitudes assim tão drásticas.

8. Aplaudo, sem reservas, o repto lançado pelo Arcebispo Primaz, na homilia que fez na festa da Apresentação do Senhor (2 do corrente).

Na realidade, é preciso que os cristãos, em esforço permanente de coerência, possam e devam «proclamar de forma descomplexada e sem vergonha os valores nos quais acreditam».

E há valores ameaçados. Gravemente. Refiro alguns que me são particularmente caros: o direito à Vida, da concepção à morte natural; os direitos da Família e da sua constituição natural; a liberdade de educar…

De facto, urge encontrar cristãos descomplexados, ousados e pró-activos. Apoiados, incentivados e acarinhados por quem tem a obrigação de o fazer. Também.




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