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Não há que enganar

Poucos se apercebem – a própria Igreja já se teria apercebido? – que é entre estes dois partidos – BE e CDS/PP – que se luta por dois tipos de sociedade diferentes

N/D
7 Fev 2005

A união de facto entre Diogo Freitas do Amaral e o Partido Socialista deixou muita boa gente perplexa e interrogativa.
Nem tanto a nós porque já não é a primeira vez que ele faz aliança com o PS. Esteve em coligação com o PS no governo presidido por Mário Soares e, sem grandes ou até nenhuns motivos, rompeu a coligação declarando, à altura, que o que desejava dessa coligação era ter acesso e conhecimento aos dossiês da governação.

O PS, mais tarde, compra Campelo, também do CDS, para viabilizar um orçamento que o resto da esquerda se não atreveu a viabilizar. É caso para dizer que o PS pesca sempre no CDS/PP, e sempre em desespero de causa.

Nem tem vergonha Freitas do Amaral, nem o Partido Socialista. Não é este, no entanto, o fulcro principal desta reflexão, outrossim a luta que se trava entre o CDS/PP e o BE. Parece que poucos se apercebem – a própria Igreja já se teria apercebido? – que é entre estes dois partidos que se luta por dois tipos de sociedade tão diferentes entre si, como diametralmente opostos em seus princípios.

O CDS/PP defende uma sociedade com valores tradicionais, isto é, os valores que hoje dão forma e foram sempre os da sociedade portuguesa, repudiando outros valores, como o aborto, o casamento de homossexuais, o lesbismo, as uniões de facto, o amor livre, valores que são, como sabemos, muito do agrado e do léxico da campanha do Bloco de Esquerda.

Resumindo, Paulo Portas defende a sociedade que temos e herdamos dos nossos avós e Francisco Louçã defende uma nova sociedade, com uma nova mentalidade para a sociedade portuguesa. O BE é o arauto desta mentalidade nova.

Falar em mentalidades é, pois, falar em sociedades. Paulo Portas e Francisco Louçã são bem dignos um do outro. Ambos cultos, ambos inteligentes e ambos bons parlamentares.

Não é, pois, entre o PSD e o PS que a sociedade portuguesa se extremará, antes haverá sempre entre estes proximidade de valores e um tipo de sociedade igual à que temos; é entre o BE e o PP que a “guerra” estará mais acérrima. Dos três partidos – PP, BE e PCP – um deles anseia chegar ao pódio, ao terceiro lugar, uma vez que o primeiro e segundo lugares já têm donos certos; todos os outros temem vir a ser lanterna vermelha.

Mas o mais importante para todos nós, portugueses, muito mais importante que as dicas e as tricas em que esta campanha eleitoral se afoga, é ter a noção exacta daquilo que cada um de nós quer como sociedade para viver.

Queremos uma sociedade como a que temos ou uma sociedade com os valores propostos pelo BE de Francisco Louçã? E isto é tão claro e tão ao alcance do entendimento das pessoas que ninguém pode alegar ignorância sobre estas matérias.

Não é como dizem alguns, “não vou votar para termos mais na mesma”. Enganam-se, porque se o PS não tiver maioria, como bem pode vir a acontecer, a coligação deste partido vai ser feita com o BE, isto lendo os sinais implícitos na entrevista de José Sócrates a Judite de Sousa.

Este senhor “não me comprometo”, se não quis guerra com o PC, muito menos a quis com o BE. Ora, para bom entendedor meia palavra basta. Se me afagas é porque gostas de mim. Por isso é que nas próximas eleições está em jogo a escolha de dois tipos de sociedade: a dos valores de sempre ou a dos valores novos.

A economia e as finanças tendem a afunilar o discurso, mas onde o gato está escondido com o rabo de fora é na escolha da sociedade que queremos para viver. Cada um é livre de escolher a sociedade que mais lhe convém, isso é democrático, mas não poderá alegar que votou inocente.




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