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O namoro e os namorados

O namoro é uma etapa da vida de um rapaz/rapariga, muito bonita, mas requerrespeito mútuo, pois se há rectidão de intenção, essa etapa é uma preparação para o Matrimónio: o rapaz deve ver na namorada a futura mãe dos seus filhos e a rapariga deve ver no namorado o futuro pai dos seus filhos

N/D
5 Fev 2005

Ocorre no próximo, dia 14, o Dia dos namorados, e como é sabido, não passa em claro a ninguém, tal a publicidade de que o comércio se serve para fazer negócio.

O que é enamorar-se alguém por outrem? Penso que todos sabem dizer, se lhes perguntam, mas ficam embaraçados diante da questão. Eu, estou na mesma, mas vou tentar dar uma resposta.

Em primeiro lugar o que mais chama a atenção é o aspecto físico de alguém; sem se saber porquê, uma pessoa começa a «gostar» doutra ou então «cai-lhe» mal.

Quando alguém se enamora, reconhece numa segunda fase, que não foi só a beleza física que contou, mas um conjunto de factores positivos como forma de andar, os gostos, o modo de falar – estava criada a atracção. Do mesmo modo, quando uma pessoa cai mal noutra, foi o mesmo conjunto de factores que esteve em jogo, mas de modo negativo.

Embora não seja comum o “amor à primeira vista”, ele acontece. O normal, porém, é que à medida que as pessoas se conhecem, vão aparecendo as situações de afectividade.

Nisto de enamorar tem papel muito importante a intuição: há sempre algo misterioso, mesmo tendo a percepção que deve haver uma razão plausível. Há também um factor de muito peso: a chamada “memória experiencial”. Quando entramos numa casa que nos é familiar e encontramos algo diferente ou estranho, procuramos o motivo e ele está, por vezes, na simples mudança do papel da parede ou do tecido das cortinas. O aviso inconsciente, é anterior à explicação racional.

Quando uma pessoa é atraída por outra, é porque encontra comportamentos semelhantes anteriores, que a impressionaram favoravelmente. É um aspecto da intuição, que falha, porém, muitas vezes.

Diz André Maurois que certos períodos da vida, estamos tão débeis afectivamente, que podemos enamorar-nos de qualquer um, do mesmo modo que pessoas carentes de defesas, estão à mercê de qualquer vírus.

Depois da primeira fase de atracção física e psíquica, começa a pôr-se o problema de gostar ou não da pessoa e abre-se a porta ao namoro, ao qual se segue a possibilidade de se apaixonar. Aqui começa o perigo, se a vontade não toma as rédeas – entra-se na espiral da fuga às realidades, até chegar ao estado que Ortega e Gasset considerava de «imbecilidade transitória».

A afectividade incontrolada, deforma a realidade e assim são muito acertados os ditados populares que dizem: “O amor é cego” ou “Quem o feio ama, bonito lhe parece”.

O enamoramento é uma paixão e como tal tem como fim único obter o ser que a alimenta. O pensamento fica bloqueado, a forma de pensar muda e tudo se justifica, porque o coração anula a razão. Vale tudo, desde que se consiga possuir o que se deseja.

Com o tempo a intensidade do namoro vai cedendo e começa-se a ver que amar e enamorar são coisas distintas.

O amor é um sentimento de estima, voluntário, isto é, controlado pela vontade, independente das circunstâncias externas e onde o desejo de posse se muda em desejo de dar e compartilhar. No amor, o rancor é mudado em perdão; o ciúme em confiança plena; a rivalidade em colaboração; a intolerância em compreensão; o egoísmo em generosidade.

Em geral o amor surge do namoro, e saber amar é encaminhar o dia a dia para um objectivo – fazer feliz o outro/a.

A convivência permanente entre duas pessoas é difícil, e só um conhecimento mais profundo e uma compreensão sensata, nos pode fazer encarar a vida com realismo – uma zanga, não é um drama e vale mais, para o amor, que uma paz podre. Se me é permitido dou um conselho que me foi confiado por um casal que em breve fará as Bodas de Prata: discutimos muitas vezes, não deixamos passar nada em claro, mas nunca nos deitamos sem nos reconciliarmos para recomeçar o dia seguinte sem ressentimentos.

O amor deve ser permanentemente alimentado com carinho, mas também com bom senso e discernimento, para ser duradoiro. A delicadeza, o “presentinho” frequente, não deve terminar no fim da “lua-de-mel”.

Mas o que vemos nós à nossa volta, neste campo? No cinema e na televisão, chamam namorados àqueles que coabitam e portanto vivem em união de sentimentos, mas muito mais de corpos, mas … sem compromissos.

Deste modo, quando os jovens começam a prestar uma atenção especial a outra pessoa de sexo oposto por quem começam a sentir o “coração a bater” quando se encontram, logo pensam em relações sexuais, julgando assim fortalecer o seu relacionamento, vítimas afinal do ambiente poluído que os envolve.

Nunca, como actualmente as experiências pré-matrimoniais foram tão numerosas e banalizadas com todo o despudor. Não admira que esteja a aumentar assustadoramente o número de casos de gravidez em jovens adolescentes, muitas vezes repudiadas pela sociedade e pela família, em desigualdade de tratamento em relação àquele que tem tanta responsabilidade como elas.

E depois? Ou os jovens assumem o seu acto e casam; ou a rapariga é abandonada pelo companheiro, mas é acolhida pela família e temos mais uma mãe solteira a engrossar o número das que já existem, ou então de comum acordo, ou simplesmente por opção da jovem abandonada, recorrem ao aborto.

Escolheu ou escolheram, neste último caso a pior das soluções. Se a criança não era aceite podia ser dada para adopção.

O namoro é uma etapa da vida de um rapaz/rapariga, muito bonita, mas requer respeito mútuo, pois se há rectidão de intenção, essa etapa é uma preparação para o Matrimónio: o rapaz deve ver na namorada a futura mãe dos seus filhos e a rapariga deve ver no namorado o futuro pai dos seus filhos.

Muito cuidado, porém. Com o fogo não se brinca, sem que alguém fique queimado…




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